terça-feira, 24 de setembro de 2013

É a Bíblia a Palavra de Deus? ( I ) O. R. de Sales Na segunda carta de Paulo a Timóteo (3.16-17), encontramos o texto que diz: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." A Bíblia é o livro das Sagradas Escrituras. Mas a primeira e mais simplória objeção à Bíblia é a de que "ela foi escrita por homens", daí porque não merecer crédito. Tais críticos em regra gostam de livros, revistas e jornais... todos escritos por homens! E também mandam seus filhos à Escola, o que é uma incoerência! Na Bíblia está escrito que Deus, para a divulgação do plano de salvação, não usa anjos, mas "a descendência de Abraão", isto é, homens transformados pela palavra de Deus, e nisto está um dos pontos salientes da sabedoria de Deus. É Deus operando no homem e na sua história! O fato é que Deus fez o homem para a sua glória e busca-o ética e incansavelmente como parceiro de seus maravilhosos planos. Foi assim também na revelação de sua Palavra, ao tomar a descendência de Abraão para entregar-lhe sua revelação. Sim, porque a Bíblia não é filosofia nem ciência, mas algo maior: é revelação, o descortinamente progressivo da verdade de Deus. Assim, podemos afirmar que a Bíblia não se preocupa em provar, mas em mostrar e revelar, persuadindo o homem à fé. A Bíblia mostra a Divindade como "o Deus das alianças". Todo ato ou promessa de Deus está envolvido em alianças, que são pactos inquebrantáveis. Assim Deus estabeleceu alianças com os homens, a partir de Adão, passando por Abraão, Noé e Davi, e também com a nação de Israel, através de Moisés, e, por fim, com toda a humanidade através de seu Filho, Jesus Cristo, isto é, o Deus que se fez homem., para estabelecer, de uma vez para sempre, a aliança eterna. No Jardim do Éden Deus criou o homem, Adão, e mostrou-lhe sua Palavra, "e lhe deu a seguinte ordem: de toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás: porque no dia em que dela comeres certamente morrerás" (Gênesis 2.16-17). Essa ordem era toda a Bíblia para Adão e sua geração. Veio a desobediência e suas consequências devastadoras para o homem, mas na oitava geração de Adão, isto é, com Enos, "daí se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4.26). No início, quando o homem vivia em cavernas e tendas, antes da escrita, a revelação da palavra de Deus foi passada "oralmente", isto é, foi verbalizada de geração a geração. Podemos perceber isso no tempo dos Juízes, na indagação de Gideão, aquele jovem que foi surpreendido pelo Anjo do Senhor quando colhia o trigo, antes que os midianitas o tomasse. O Anjo falou: "O Senhor é contigo, homem valente. Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu, se o Senhor é conosco, porque nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora o Senhor nos desamparou, e nos entregou nas mãos dos midianitas." Nos dias de Jacó, quando seus filhos constituíam suas famílias, que viriam a ser as doze tribos de Israel, encontramos o relato da história de José, o jovem "sonhador". Sonhou José que seria alguém muito importante, a ponto de seu pai, sua mãe e seus irmãos se prostrarem perante ele (Gn 37.5-11). Depois disso, movidos por ódio, seus irmãos o venderam aos mercadores ismaelitas, que o vendeu a Potifar, oficial de Faraó. Ali, por rejeitar a mulher de seu senhor, mas acusado falsamente de assediá-la, foi preso injustamente. Na prisão, depois de alguns anos, interpretou os sonhos do copeiro e do padeiro do Rei. Os acontecimentos comprovaram que José interpretara corretamente os sonhos daqueles homens. Por fim sonhou o próprio Faraó. Então o copeiro lembrou-se de José e este foi chamado para interpretar o sonho do monarca. Feita a interpretação dos sete anos de fartura e dos sete anos de fome, foi José nomeado governador de toda a terra do Egito, cumprindo-se os sonhos que tivera na mocidade, tendo seus irmãos e seu pai se prostrado diante dele, nos anos da fome. Nos Salmos esses estraordinários acontecimentos, rigorosamente cumpridos, são chamados de "profecia", senão vejamos: "Diante deles enviou um homem, José, vendido como escravo; cujos pés apertaram com grilhões, e a quem puseram em ferros, até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor." (Sl 105.17-19). Vemos, assim, que essa sucessão de "sonhos" originaram-se em Deus, vivenciados por descendentes de Abraão e até mesmo por pessoas de outras nações e credos, como o padeiro e o copeiro do Rei e o próprio Faraó do Egito. A partir daí surgiu a escrita, no apogeu do Egito e na descida da descendência de Abraão para lá, no tempo de Jacó, com 70 pessoas. Ali, dissera o Senhor a Abrão, em sonho, " ...a tua posteridade será peregrina... e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas." (Gn 1513-14). Assim falara Deus e assim aconteceu. O povo hebreu foi escravizado no Egito por quatrocentos anos, até que veio Moisés, enviado por Deus, e o libertou do cativeiro do Egito, através de "julgamentos divinos" contra os deuses do Egito. Então cumpriu-se a palavra prometida a Abrão, patriarca da nação. Ao chamar a Moisés Deus fez menção dessa história passada de pai para filho, ligando o patriarca Abraão, a Palavra de Deus e seus descendentes: "Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó... Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento." (Êxodo 3.6-9). Moisés, criado na corte de Faraó como seu neto, foi instruído "em toda a ciência do Egito" e era "poderoso em atos e palavras". A ele são atribuídas a autoria dos Livros de Gêneses, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio e Jó. É interessante notar que quatrocentos anos são suficientes para mudar radicalmente todos os aspectos das nações, e somente Deus poderia cumprir uma palavra pronunciada com tanta antecedência, visto que as probabilidades de não-ocorrência seriam infinitas. Não fossem do Deus da Verdade, o Deus das alianças, tais palavras jamais teriam se cumprido. Nesse compasso a Bíblia vai associando "promessa e cumprimento" ao longo do tempo em que foi escrita, cerca de 1600 anos. Vemos também Josué, sucessor de Moisés e Líder de Israel, que introduziu o povo na terra prometida, provando a inspiração e a veracidade da Palavra de Deus anunciada aos seus antepassados, quando afirma: "Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara à casa de Israel: tudo se cumpriu." (Js 21.45). Percebemos que a forma pela qual Deus se manifestou a Israel através dos homens, isto é, de reis, sacerdotes e profetas da descendência de Abraão, foi sonhos, visões e palavras ditadas diretamente ao coração dos profetas, palavras essas inteiramente contextualizadas com as circunstâncias vivenciadas por pessoas bem determinadas ou pela nação, seguindo-se o registro de seu cumprimento. De Samuel, profeta e 13º juiz de Israel está escrito: "Continuou o Senhor a aparecer em Silo, enquanto por sua palavra se manifestava ali a Samuel." (I Sm 3.21). Como livro das experiências das diversas gerações dos descendentes de Abraão os Salmos registram depoimentos vibrantes, tais como: "O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada;" (18.30); "As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes" (12.6); "Tenho visto que toda perfeição tem seu limite, mas o teu mandamento (palavra) é ilimitado" (119.96); "... pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra" (138.2b). Assim, a palavra de Deus foi sendo revelada, passo a passo, surgindo através dos acontecimentos da nação israelita e orientando-a no cumprimento dos grandes planos de Deus, até o principal descendente de Abraão, que é Cristo, o Verbo (a Palavra) que se fez carne. Sobre a veracidade da Bíblia, para as mentes céticas mas sinceras, recomenda-se o best-seller E a Bíblia Tinha Razão..., de Werner Keller, diplomata e cientista alemão, Edições Melhoramentos.

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