segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PASTOR RENEO FICHER, INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO, PARTE 3



Introdução ao Novo testamento Parte 3
Pastor Reneu Ficher
FILOSOFIA JUDAICO-ALEXANDRINA
         Durante o Período Grego, muitos judeus mudaram-se para o Egito. Estima-se que a colônia judaica montava em cerca de um milhão em Alexandria durante a época de Jesus. Surgiu, com o passar dos anos, um tipo de literatura que tentou explicar o judaísmo para o mundo grego. O maior fator isolado a destacar esse fato foi a Septuaginta, durante o terceiro século a.C. Esta filosofia exibia um marcante sincretismo de judaísmo, religiões de mistérios, lendas e filosofia grega. Presta-se a uma interpretação alegórica das Escrituras. As literaturas deste tipo incluem os Oráculos Sibilinos, Sabedoria de Salomão, IV Macabeus. Estas já foram apresentadas nas páginas anteriores.
FILO
O maior expoente desta literatura, todavia, foi Filo (27 a.C. — 41-65 d.C), um nativo de Alexandria. Usando a teoria platônica das idéias, Filo foi capaz de interpretar as doutrinas da fé judaica em termos que a mente grega poderia entender e aceitar. Rejeitando a interpretação literal, tudo na Septuaginta era alegórico, para expressar o mundo real e o Deus real. Deus era totalmente transcendente, mas estava relacionado com o mundo dos sentidos, através do Lógos. A parte mais próxima do homem a Deus é a razão, e a carne deve ser mantida em sujeição a ela, em todo o tempo.
FLÁVIO JOSEFO
         A fonte mais confiável da história deste período é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Suas quatro obras são, com efeito, uma apologia em favor do judaísmo da época do Novo Testamento. Nascido em Jerusalém por volta de 37-38 d.C, foi contemporâneo de muito do nascimento e crescimento do cristianismo. Treinado para ser um rabi, foi designado governador da Galiléia no início da Guerra Judaico-Romana. Foi capturado pelos romanos e logo tornou-se um favorito do general romano Vespasiano. Quando este general tornou-se imperador romano, Josefo adotou o nome da família do imperador, Flavius. Era tido em alta estima pelos dois filhos de Vespasiano (Tito e Domiciano), ambos os quais sucederam o pai como imperadores.
Josefo escreveu seus quatro livros para responder aos críticos dos judeus após a guerra de 70. Seu Antigüidades dos Judeus é, provavelmente, sua melhor obra. É uma história do povo judeu desde a criação até o início da guerra. As Guerras dos Judeus começa com as perseguições sob Antíoco Epifânio e explica algo das razões que levaram à guerra. Uma de suas obras, A Vida, é a menos satisfatória, mas dá uma penetração no judaísmo do primeiro século. É uma autobiografia, traçando seus passos através de todos os partidos judaicos. Sua última obra, Tratado Contra Apiano, é cuidadosamente planejada e bem elaborada. É uma defesa cuidadosa do povo judeu contra a crítica radical. Estes livros contêm muitos exageros e devem ser lidos com cuidado. Contudo, eles são nossas fontes primárias para muito do material utilizado no estudo desse período.
Fundamentalismo.
Nesse nível, as revelações divinas, preservadas em livros sagrados, são altamente reverenciadas; porem, a letra é posta acima do Espírito. Crenças e credos rígidos cristalizam e entravam  o  desenvolvimento espiritual. Credos tornam-se motivos fortes de divisão. A arrogância e o gosto pela polêmica são proeminentes nesse estágio. No caso de muitos, o amor é apenas uma questão da boca pra fora. Textos de prova resolvem tudo.
Tradições são ensinadas como se fossem a própria verdade. Porções dos livros sagrados são distorcidas no esforço de obter uma teologia sistemática infalível, que se torna mais importante que a própria verdade. Algumas pessoas, neste estágio, são capazes de atingir um bom grau de piedade e espiritualidade pessoais. Muitos, porem, substituem a espiritualidade pela mera aderência a algum credo.
É significativo o fato de que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento foram produzidos pela fé dos Hebreus, em estágios distintos de crescimento, embora haja alguma mistura de idéias helenistas, o que já acorria no próprio judaísmo do começo da era cristã.
Também há uma ética comum, embora a ética do Novo Testamento seja mais profunda e espiritualizada que a do Antigo, pois, no novo pacto leva-se mais em conta o motivo por detrás das ações, e não apenas os atos externalizados. Um laço de união é a esperança messiânica. Cristo é a figura central de toda Bíblia!
A coletânea sagrada, embora não sejamos capazes de harmonizar cada particular com o resto, serve de seguro guia espiritual. Afinal, é a única revelação em forma de escrita que temos da parte de Deus! As dificuldades são motivadas pelo fato de que ainda estamos na fase da mamadeira, espiritualmente falando. Apesar disso, quando da formação do cânon, aquilo que entrava em divergência patente com o ensino bíblico, foi sendo rejeitado, e, em nossas mãos, restou uma coletânea de livros fidedignos.
No novo testamento não encontramos uma única teologia, sempre no mesmo nível de revelação e sempre congruente. Consideremos o livro de Tiago, lado a lado com a epístola paulina aos Gálatas! Sem dúvida, de um para o outro, houve evolução na exposição da verdade divina.
Mas isso não nos choca, quando levamos em conta a controvérsia que houve na igreja primitiva (At 15). Tiago representava a facção legalista da igreja, ainda sem se haver desmamado inteiramente da sinagoga, ao passo que Paulo é representante de uma nova onda de pensamento, que já se afastava radicalmente das idéias judaicas. No entanto, as idéias expostas por ambos encontram-se, lado a lado, no novo testamento.
A epístola de Tiago foi um dos livros mais disputados nos primeiros séculos da Igreja cristã, exatamente em face de sua divergência em relação a Paulo. Interpretações modernas podem tentar  fazê-los dizer uma mesma coisa, mas a harmonização forçada visa muito mais o nosso conforto mental.
Todavia, a fé robusta não precisa de harmonização completa entre todos os escritores sagrados. As vezes eles estavam tratando de questões multifacetadas, sem qualquer tentativa de combinar suas idéias com as de outros escritores sagrados.
Por essas razões, a fé pode florescer mesmo em meio a divergências, mistérios e controvérsias. É mesmo possível que o Espírito Santo tenha permitido essa diversidade, dentro de nossos documentos sagrados, com o propósito de alertar-nos para o fato de que, no estágio espiritual em que nos achamos, sempre nos veremos às voltas com divergências e questões teológicas não resolvidas.
Isso equivale a dizer que ainda somos crianças espirituais, que ainda estamos mexendo com conceitos simples, que de modo algum esgotam toda a verdade divina. Há mistérios que Deus ainda não revelou. Isso vem sendo dito desde o Antigo Testamento.
&29 As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Dt 29.29



Primeiras oposições à mensagem dos Apóstolos.
As primeiras experiências de oposição enfrentadas pelos doze apóstolos, no exercício da propagação de sua fé, não vieram do estrangeiro, mas de seu ambiente, de casa, na época, chamada província romana da Judéia. Ali, a tenaz resistência das instituições judaicas sedimentou, aos poucos, a realidade de que aqueles por quem o Messias viera não o  receberiam (Mt 20.16; Jo 1.11).
Embora a mensagem apostólica tenha encontrado solo fértil em muitos corações em Israel, tornava-se cada vez mais clara que a direção divina os impelia ao encontro dos gentios e judeus de além-fronteiras, chamados de judeus da diáspora, para um ministério em que o limite seria o próprio mundo conhecido na época.
O fulminante crescimento da nova fé causou, a princípio, a forte reação dos saduceus que compunham a moralmente suspeita elite religiosa judaica, com a qual os dominadores romanos mantinham estreitas e promíscuas relações. Duas razões básicas explicam a hostilidade dos saduceus contra a recém-formada Igreja.
A primeira delas foi a ênfase apostólica na ressurreição dos mortos, que os saduceus, por razões escatológicas, julgavam politicamente perigosa. Para o judeu da época, a ressurreição dos mortos significava muito mais que um evento espiritual. Era a própria consumação dos tempos, a chegada do juízo divino inaugurando uma nova ordem mundial em que os potentados humanos seriam subvertidos e os ímpios seriam, enfim, punidos. Cientes que os magistrados romanos locais estavam a par dessa crença em toda sua suposta acepção revolucionaria, os sacerdotes temiam que mensagens enfáticas sobre a ressurreição pudessem agitá-los, causando uma indesejável instabilidade política e social.
Outro fator preponderante para essa oposição dos líderes de Israel à igreja foi a insistente presença evangelizadora dos apóstolos e seus discípulos na área do templo, considerada de jurisdição sacerdotal. Os cristãos não apenas aproveitavam as concorridas dependências do santuário para anunciar o evangelho às massas, mas ali também operavam prodígios e milagres, conquistando definitivamente muitos adeptos para a nova fé (At 2.43,46; 3.1-10; 4.1-4; 5.42).
Diante dessa conjuntura, os saduceus, com o apoio do sinédrio – a assembléia judaica da qual faziam parte – , detonaram a primeira perseguição à igreja, motivados não apenas pela tentativa de refrear sua rápida multiplicação entre o povo (At 2.41;4.4), mas também pelo esforço de manter isento desse contágio seus colegas de sacerdócio. (At 6.7)
Por volta de 34 d.C., a resistência judaica aos seguidores de Cristo é abraçada também pelos fariseus, considerados os maiores guardiões da Lei Mosaica e dos ensinos rabínicos.
Os aspectos facilitadores da difusão da fé cristã no mundo Grego-Romano
&4 vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Gl 4.4

O Império Romano, ao qual os judeus e os primeiros cristãos estavam submetidos, representou um dos mais contundes avanços no desenvolvimento da civilização humana até aquele momento. Ainda no periodo republicano, que antecedeu a era cristã, Roma construiu boa parte do seu magnífico território. Estendia-se por cerca de 5.000 quilometros, desde a região gélida da Escócia até o calor desértico da Síria, desde a costa atlântica de Portugal até as regiões balcânicas do Oriente europeu, abrangendo o equivalente a mais de 40 nações atuais.

Para Edward Gibbson, autoridade em Roma Antiga, sente-se a prosperidade do Império Romano pelo impressionante número de cidades que floresceram durante seu dominio. Somente na península itálica haviam nada menos do que 1.197 cidades, número levemente inferior ao apresentado pelas provícias da Gália e da Hispânia. Na Asia Menor, onde hoje está a Turquia, havia cerca de 500 cidades, muitas das quais famosas por sua opulência e riqueza. Africa Proconsular e Numídia, províncias do noroeste africano, reuniam 300 cidades, das quais Catargo era a grande expoente.

Os romanos, graças a sua genialidade administrativa, lograram amalgamar uma grande diversidade cultural. Deixaram para a posteridade preciosos legados científicos nas áreas da jurisprudência, da língua, da literatura, da arquitetura, da engenharia e da estratégia.
A característica dos primeiros séculos da nossa era foi muito positiva para a difusão da fé cristã, mesmo considerando-se as severas perseguições do Estado romano contra ela. Paradoxalmente, a mesma supremacia romana que, em dados momentos, levantou sua temida espada contra o cristianismo, acabou, por outro lado, legando-lhe uma contribuição de suma relevância para seu crescimento triunfante. Essa contribuição político-econômica associada à influência cultural grega e à participação religiosa dos judeus da diáspora transformou os dois primeiros séculos da nossa era em um fertilíssimo campo missionário transcultural.
McBirnie resumiu desta maneira as circunstâncias que caracterizavam o mundo da época:
O desenvolvimento da Pax Romana trouxe prosperidade, comércio, educação e homogeneidade cultural e lingüística, além da segurança para as viagens, ou seja, uma preparação ideal para a chegada dos apóstolos e missionários cristãos.
Conhecer mais profundamente esse momento da história romana é, portanto, compreender muito daquilo que determinou os rumos do cristianismo primitivo, em especial, daquele vivido na era apostólica.
A  enorme exclusão social romana e a expectativa de uma nova era.
Embora sinônimo inquestionável de avanço social e político da civilização ocidental, assim como de prosperidade econômica raramente vista na história antiga, o Império Romano estava longe de representar uma sociedade justa e democrática. A concentração de renda era um retrato nítido da iniqüidade vigente com o crescente distanciamento entre pobres e ricos.
Poucos milhares de privilegiados detinham a maior parte da riqueza imperial, arduamente gerada por cerca de 50 milhões de habitantes. Os patrícios, nobres descendentes dos pater famílias – ancestrais agraciados com largas extensões de terra recebidas durante o antigo período monárquico (753-509 a.C.) – compunham a faixa social mais abastada e politicamente mais influente da sociedade romana. Formavam a chamada classe senatorial. Sua renda nunca era inferior a 1 milhão de sestércios, e só a esses cabia o direito ao uso distintivo da faixa púrpura na toga.
Os 500 anos do período republicano, findados em 27 a.C., foram marcados pela longa luta dos plebeus (indivíduos sem origem patrística) em busca de seus direitos civis. Com a profissionalização do exército e o crescente desenvolvimento do comércio, ambos alavancados pelo expansionismo romano, muitos plebeus enriqueceram, formando a famosa classe eqüestre. Os cidadãos que compunham essa classe social, cuja renda oscilava entre 400.000 e 1.000.000 de sestércios, eram chamados de perfectissimi. Eles ostentavam na vestimenta sua condição social privilegiada, só que, nesse caso, com uma pomposa faixa azul na toga.
Contudo, é bom que se tenha em mente que tanto patrícios quanto plebeus bem-sucedidos não representavam senão uma porção ínfima do povo romano. Uma grande camada da população compunha-se do chamado proletarium, um grande contingente de miseráveis cujo número, contraditoriamente, crescia à medida que o império se agigantava em poder e em riqueza. Calcula-se que na cidade de Roma, no último século da república, o número de proletários urbanos fosse superior a 320 mil, enquanto as classes abastadas da cidade não tinham mais de 2.000 indivíduos.
A razão de tanta discrepância social era simples. Roma, com suas conquistas militares, absorvia não apenas os despojos de guerra, mas também grandes levas de prisioneiros que eram comercializados como escravos. Quem geralmente os adquiria eram os nobres e os grandes proprietários de terra. Com a facilidade de mão de obra barata proporcionada pelos escravos, esses latifundiários inevitavelmente provocaram a falência dos seus concorrentes, os pequenos agricultores que representavam quase 90% da população imperial.
Além disso, os produtos importados dos territórios anexados pelo Império também causavam, pela concorrência, a falência de inúmeros artesãos romanos. O resultado desse novo desenho econômico foi não só o surgimento, mas o crescimento explosivo da CLASSE PROLETÁRIA, cuja indizível pobreza fazia jus ao nome, ou seja, designava aqueles cujo único bem no mundo era sua prole.
A maior parte do proletarium vivia nas regiões urbanas, apinhando-se em bairros miseráveis e insalubres, ao redor do centro das cidades, em que grassavam a baderna, a criminalidade e a prostituição. Desde 123 a.C., com a promulgação das leis frumentárias, o Estado romano procurava amainar a perigosa insatisfação desses desafortunados com a distribuição gratuita e Periódica de trigo, a ANONA, para minimizar a fome deles. Além disso, as elites descobriram também que o entretenimento gratuito era uma válvula de escape muito eficaz para aliviar a pressão da exclusão econômica sobre as massas. Assim, surgia a política do Panem et Circensis, ou seja, pão e circo gratuitos para o povo.
Enquanto no período republicano o governo romano promovia lutas de gladiadores durante três ou, no máximo, quatro semanas por ano, no período imperial, principalmente nos três primeiros séculos da era cristã, esses espetáculos sanguinolentos podiam estender-se por meses seguidos. O Imperador Tito, por exemplo, celebrou a tão esperada inauguração do Coliseu, em 80 d.C., divertindo seus mais de 50 mil espectadores com 100 dias seguidos de festividades, marcados não apenas pelas intrigantes encenações de batalhas navais no centro da arena, mas também por violentos embates de gladiadores e a abundante trucidação de criminosos – ou supostos criminosos – pelas presas de animais ferozes.
Emanuel de Moraes relembra o intento das elites romanas que havia por trás desse abundante e gratuito entretenimento público:
Com as massas, o único cuidado era o de mantê-las mais ou menos tranqüilas, proporcionando-lhes grandes jogos, festas rituais e paradas militares, distribuindo-lhes dinheiro e alimentos – o famoso pão e circo – recrutando-as para servirem nas forças armadas, ou, quando se excediam em distúrbios, lançando sobre elas, com o fito de atemorizá-las, a guarda pretoriana.
A miséria do proletariado romano, que já era desumana na República, agravou-se nos dias do Império. Contudo, infelizmente, esse não era o único segmento social a sofrer com a opressão do Estado. Igualmente, os habitantes das províncias conquistadas pelo Império viam-se empobrecer a cada dia em função de assoladoras cargas tributárias que incidiam sobre eles. Afinal, Roma tornara-se um Estado militar complexo e caro, do qual as legiões não apenas eram um dos símbolos maiores, mas também constituíam a própria base do poder dos governantes. Era imprescindível, portanto, mantê-las satisfeitas, aumentando-lhes freqüentemente o soldo e demais benefícios, mesmo que tal operação implicasse – como de fato implicava – em aumento de impostos e em maior opressão sobre as populações dominadas.
Ademais, era raro encontrar magistrados romanos, nas capitais provincianas, realmente comedidos na administração da fazenda pública. Antes, cediam freqüentemente à tentação de dissolver o erário no embelezamento das cidades em que viviam, vaidade que, via de regra, impunha mais tributos sobre os dominados. Um cronista romano do período imperial observou, com certa ironia, que as capitais romanas das províncias só estavam preocupadas com uma coisa: tornarem-se umas mais belas e atraentes que as outras.
A nação judaica

O CÂNON E O TEXTO DO NOVO TESTAMENTO
&16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. II Tm 3.16,17
           
Quando Paulo escreveu a Timóteo, dizendo que "toda Escritura é divinamente inspirada..." (II Tim. 3:16), ele não tinha em mente o nosso Novo Testamento. A referência era à coletânea de livros conhecidos por nós como o Velho Testamento (todas as referências às "Escrituras" em o Novo Testamento dizem respeito ao Velho Testamento). A Bíblia dos primeiros cristãos era o Velho Testamento em grego, conhecido como a Septuaginta. Raramente o Velho Testamento em hebraico era conhecido.
A medida que a igreja crescia, na era apostólica, ela começou a colecionar certos escritos, que por fim se tornaram o Novo Testamento, que foi considerado como sendo igualmente inspirado, como "AS ESCRITURAS". Como aconteceu isto? Quem escolheu estes vinte e sete livros para serem a base da fé cristã? Por que outros livros foram excluídos? Estas são algumas perguntas com que se depara o estudante sério do Novo Testamento.
·         Quando Paulo estava escrevendo suas cartas, ele não tinha consciência de que elas posteriormente iriam ser consideradas ESCRITOS SAGRADOS. Ele e os outros autores escreveram para suprir necessidades específicas dos primeiros leitores. Embora eles tenham sido guiados pelo Espírito Santo a escreverem como o fizeram, eles só tinham em mente sua geração de leitores. Nenhum dos escritores do Novo Testamento esperava morrer. Sua grande esperança era que o Senhor iria retornar antes de sua morte. Por esta razão, eles não sabiam que seus esforços haveriam de ser "ESCRITURAS SAGRADAS" para gerações posteriores.
Tradução requer mais que palavras. Requer idéias, contextos, sentidos intercambiados, correspondência.


Contudo, pode-se encontrar certas exortações no Novo Testamento acerca da leitura pública dos escritos apostólicos
&   16 E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós. Cl 4.16

&   27 Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos. I Ts 5.27

&   13 Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. I Tm 4.13

&   15 e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, 16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.II Pd 3.15,16

&   3 Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. Ap 1.3

&   7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. Ap 2.7

&   18 Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; 19 e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro. Ap 22.18,19

Há até mesmo uma referência encoberta em II Pedro 3:15, 16 de que as cartas de Paulo são de igual autoridade ante as "Escrituras". Era apenas natural o fato de que as palavras e as histórias autênticas acerca da vida e obra de Jesus, e a interpretação da experiência cristã para o viver diário, devessem receber posição de autoridade na igreja primitiva. As igrejas começaram cedo a colecionar vários escritos, que preservaram os ensinos dos apóstolos; depois começaram a circular estas coleções. Deve ser entendido que cada coletânea não era a mesma. Algumas continham apenas algumas poucas cartas de Paulo; outras incluíam um Evangelho ou dois; ainda outras tinham outros livros do Novo Testamento; e outras mais tinham livros que não são aceitos dentro do Novo Testamento.

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