segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ESTUDO SOBRE CASAMENTO E DIVOCIO A LUZ DA BÍBLIA.AMÉM




MONOGRAFIA SOBRE CASAMENTO, DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO A LUZ DAS ESCRITURAS



ALUNO: JAIR AMARAL


INTRODUÇÃO


  Neste estudo de monografia procurar-se abordar sobre importantes assuntos que vem se tornando motivo de muita preocupação e reflexão em nossa sociedade, sendo a questão do casamento, divórcio e novo casamento.
Percebemos que a cada dia que passa, a família tem sido atacada de diversas formas e isto tem afetado a vida de muitos casais, resultando na destruição de muitos casamentos, como consequência trazendo dores e sofrimentos, aos que estão envolvidos direta ou indiretamente.  
É inegável que estes assuntos são de extrema importância, e ao mesmo tempo polêmicos, pois são diversas opiniões dos diversos setores da sociedade, que procuram emitir opiniões e juízos, sem um desfecho final, mantendo as questões sem uma resposta definitiva.
Sabemos que Deus tem a resposta para todos os dilemas do ser humano, pois cremos na sua infalível palavra que nos leva ao conhecimento e nos livra da destruição, conforme esta escrito em Oséias Cap. 6 ver 3  “O meu povo foi destruído  porque lhe faltou conhecimento...”
Procuraremos nos aprofundar nestes assuntos procurando respostas, tendo como base na palavra de Deus, desprovido de qualquer emoção, será analisada de maneira teológica, conforme a palavra de Deus trata o matrimonio e reconhece-o como um projeto de Deus.







  1. O PROPÓSITO ORIGINAL DE DEUS PARA O CASAMENTO


Sendo o assunto de profunda importância, devido à complexidade do casamento, do divórcio e do novo casamento, que inicie o mesmo exatamente por onde ele começa, ou seja, na instituição do casamento pelo próprio Deus. Antes de quaisquer outras considerações é imprescindível que se atente para o propósito original de Deus; o que o criador tinha em mente quando institui o casamento?
                          “Disse mais o senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja, pois como diante dele. Havendo, pois o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para ver como este o chamaria; e tudo o que adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. Adão pôs os nomes a todo o gado e as aves dos céus e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele. Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o senhor tomou do homem formou uma mulher e trouxe-a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa por quanto do varão foi tomada. Por tanto deixara o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á sua mulher, e serão ambos uma carne. ¹ 
É importante que antes de tudo se estabeleça uma definição do que é realmente o casamento.
¹Bíblia ,Genesis .Português.Bíblia de Estudo Pentecostal.Revista e corrigida.Rio de  Janeiro:Cpad edição 1995.Cap.2,vers.18-24,p35,36.









2. O QUE É CASAMENTO?
2.1 Segundo o Dicionário Aurélio.
 “O casamento é um ato solene de união entre duas pessoas de sexos diferentes, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e ou civil”.
 “O artigo 226, paragrafo 3ºda constituição Federal diz que para efeito da proteção do estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento’’. Como se pode ver tanto o dicionário como a constituição Federal conceitua casamento como união entre duas pessoas de sexos diferentes. (Dicionário Aurélio, ed.2001)
2.2. Dicionário teológico.
“Instituição que tem por objetivo legalizara união entre um homem e uma mulher. Sacramentado por Deus o mesmo é indissolúvel. Somente a morte, ou a infidelidade conjugal, podem romper Le os laços, conforme ensina o Senhor Jesus, Mt .19:9’’. (ANDRADE, Claudionor  de ,dicionário teológico Cpad p 91,2012.)
Quanto ao ato o casamento é um concerto, ou aliança feito entre pessoas de sexos opostos diante de Deus da família e da igreja, de serem marido e mulher enquanto viverem, conforme diz no livro de Malaquias 2:14
Neste ponto, vamos entender a palavra aliança.
2.3 Aliança:
1. Ato ou efeito de aliar (-se).
2. Ajuste, acordo, pacto.
3. União por casamento.
4. Anel simbólico de noivado ou de casamento.
5. (Rei.) Cada um dos pactos que, segundo as Escrituras, Deus fez com os homens.
6. (Antrop.) Relação estabelecida entre indivíduos ou grupos sociais (famílias, parentelas, grupos de descendência ou outros) através de casamentos ordenados por regra específica de determinação do cônjuge permitido ou ideal. Consentimento ou acordo mútuo de duas pessoas para fazer ou evitar algum ato ou coisa; contrato, pacto.
Pacto: ajuste, convenção, contrato.
Compactar: comprimir, tornar compacto, ou mais compacto.
Estabelecer uma aliança é dar de si mesmo ao outro. Ela deve assegurar proteção do mais fraco pelo mais forte.
Passando de um para o outro, causa a mistura de vida e personalidade; uma alma em dois corpos.
Conforme diz no Livro de Mateus 19.5:“Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne.”( 4,Cooley  cheila uma benção chamada sexo, 2002 pg 20 ,graça editorial) .
O casamento é a mais sólida estrutura social estabelecida por Deus que tem o propósito ou como missão como Deus designou, conforme:
“Oferecer gloria a Deus; Propiciar companhia um para o outro; Servir um ao outro; Criar uma unidade básica de trabalho e serviço; Procriar uma descendência devota.” (ADEI, Dr. Stephen. Seja o Líder que sua família precisa. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pg.108-109).
Sendo segundo a bíblia o casamento é a união entre um homem e uma mulher. Gn2:2, fica claro  quais  devem  ser as bases, do casamento.

3. AS BASES DO CASAMENTO OU DA NATUREZA DO CASAMENTO.

 3.1 - Heterossexual.
A bíblia é objetiva quando diz: “Por isso deixara o homem pai e mãe e se une a sua mulher, tornando-se ambos uma só carne” (Gn.2:24). Conforme Adam Clarke:
Adão e Eva poderiam ser considerados não apenas um só corpo, mas também como duas almas em só corpo, ou seja, completa união de interesses e uma indissolúvel parceria de interesses.

3.1.1 - Configura-se pela união em matrimônio de um homem e uma mulher. Essa união heterossexual é fundamentada nas Escrituras Sagradas conforme abaixo colacionado:
“Macho e fêmea os criou Deus criou” (Gn. 1:26-27).
Conforme se observa do texto acima citado, Deus criou o homem um ser masculino e também fez a mulher um ser feminino. Entende-se que Deus não uniu dois machos ou duas fêmeas, mas, uniu um homem a uma mulher, demonstrando que a união heterossexual corresponde à natureza e ao padrão Divino.
Consequentemente, o chamado casamento homossexual não é considerado como casamento a luz da palavra de Deus nem a luz das ciências biológicas. Pelo contrario, segundo Norman Geiseler: “Essa união esdrúxula é uma relação sexual ilícita”.(LOPES, Hernandes Dias. Casamento Divórcio e Novo Casamento. São Paulo :editora hagnos. 2005.p 25).
A união homossexual é uma abominação aos olhos de Deus.(grifo nosso)

3.1.2. O homossexualismo
Essa união é veementemente condenada pelas Escrituras Sagradas. O ensino bíblico é clarividente nesse sentido. Vejamos a citação bíblica abaixo:
“Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação’’. (Lv18:22)
Igualmente, encontra-se registrado no livro de Juizes, no capítulo 19 e versículos 22 e 23 da Bíblia Sagrada o seguinte:
“Estando eles alegrando os seus corações, eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos. E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura”.
Em Juízes 19:22-23, diz: A prática do homossexualismo é visto nas escrituras como uma loucura e um grande mal. O apostolo Paulo afirma que o homossexualismo é uma paixão infame e contraria a natureza (Rm1.26).Que o mesmo é uma disposição mental reprovável e uma coisa inconveniente(Rm1.28), e quem o pratica jamais poderá entrar no reino de Deus(1Co6,9,10). O apostolo Paulo define a sodomia ou a  homossexualidade como uma transgressão a lei Deus.(1Tm1.9,10).
Além de ser eticamente condenado pelas escrituras, a prática homossexual não pode cumprir o pleno propósito para a família, pois a luz das ciências biológicas esse tipo de união, não pode gerar filhos nem cria-los. Segundo os padrões da ética e da doutrina sustentável. Esta união não pode ser vista como uma união de amor, mas de uma paixão infame e contraria a natureza, como afirma o Apostolo Paulo (Rm. 1.26). Sendo o casamento uma união de amor entre um homem e uma mulher, de modo de se tornarem uma só carne, enquanto que a união homossexual é um relacionamento torpe e abominável.

3.2 Monogâmico.
A palavra monogamia vem de dois vocábulos gregos: monos (único) e gamos (casamento), ou seja, um único homem para uma única mulher.
A monogamia é a forma de união prevista no plano original de Deus para o casamento e para a formação da família .Conforme Gênesis 2:24,esta é a síntese do pensamento de Deus para o casamento monogâmico: Deixara “o varão” os seus pais e apegar-se-á à sua mulher “para se unirem sexualmente”(uma só carne).(RENOVATO, Elinaldo. A família Cristã e os ataques do inimigo.CPAD 1ª edição.2013.Pg18)
3.3 Monossomático.
Conforme diz a Bíblia: “Por isso, deixará o homem pai e mãe e se une á sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn2.24).
Adam Clarke diz que:
“Adão e Eva poderiam ser considerados não apenas como um só corpo, mas também como duas almas em um só corpo, ou seja; uma completa união de interesses e uma indissolúvel parceria de vida e sonhos, conforto e apoio, desejos e inclinações alegrias e sofrimentos.” (Adam Clarke.clarkes commentary Matthew- Revelation,Vol.V.Nashville,Tennessee.Abingdom.N.d.:p.189)
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Eles eram dois antes do casamento, mas se tornaram um. Apesar de continuarem sendo duas pessoas distintas, elas passaram a ser uma só carne. Por isto a união conjugal é a mais intima relação de todo o relacionamento humano. A união entre marido e mulher é a mais estreita do que a relação entre pais e filhos. Por isso os filhos de um homem são parte dele mesmo, mas a sua esposa é ele mesmo.
 O apostolo Paulo é enfático ao escrever aos Efésios.

“Assim também os maridos devem amar as suas mulheres como os seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém já mais odiou a própria carne; antes a alimenta e dela cuida como  também Cristo o faz com a igreja.” (Ef.5.28,29)

Conforme a expressão do apostolo Paulo aos Efésios de quem ama a sua esposa ama se a si mesmo, e que o marido deve cuidar da esposa como Cristo o faz com a igreja entende-se que o casamento exige exclusividade, fidelidade de compromisso, amor e uma profunda dedicação dos cônjuges.
“Compreende-se a seriedade do casamento e a responsabilidade dos cônjuges e que este vínculo é o mais sagrado que o vínculo que prende os filhos aos seus pais. A esposa deve ter preferencia sobre o pai e a mãe. Da mesma forma o marido deve ser mais intimamente unido, a esposa do que do que aos seus próprios pais. Nada a não ser a morte deve separa-los.”(LOPES, Hernandes Dias. Casamento divórcio e novo casamento; São Paulo,Sp:Hagnos. 2005. Pg.31)

  Quando a bíblia diz: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se une a sua mulher, tornando se os dois suma só carne’’. (Gn .2.24).Fica evidente que a expressão bíblica é uma só carne “por si só condena a poligamia, o divórcio, e a devassidão”. Se a mutua união é consagrada a Deus, logo a infidelidade conjugal, logo toda a relação sexual fora do casamento esta abertamente desautorizada configurando-se como pecado.( LOPES, Hernandes Dias.Pg31)

3-3 Indissoluvel.
“A fim de proporcionar uma vida conjugal abundante, o criador planejou uma união, indissolúvel e permanente (Gn 2:24), ou seja que o matrimonio entre um homem e uma mulher seria para sempre. “O que Deus juntou não separe o homem”, é bem verdade que esta expressão não se encontra no relato da intuição do casamento em Genesis. Pois pertence ao relato do Evangelho de Mateus, no capitulo 19,versículo 6.Porem a vontade de Jesus neste texto busca trazer á  tona a vontade original de Deus.Visto que a sociedade judaica estava dividida no que se refere ao casamento,entre o divórcio,bem como novo casamento,entre duas escolas a do Rabi Hilel que admitia o divórcio por qualquer motivo ,e a do Rabi Shamai,que somente  permitia,o divorcio em caso de adultério ,com posições antagônicas em relação a estes assuntos estas escolas desvirtuam-se da vontade original de Deus”.(SILVIA,Plinio Morreira da .O divórcio e a Bíblia .Mogi das cruzes:Abecar,P.18.)

Jesus traz á baila a vontade original de Deus para que a discussão fosse possível desde a perspectiva original. O casamento foi feito para durar enquanto os cônjuges viverem.  Bíblia 1Tm.Cap5,vers:
 “Assim fica claro que o objetivo primeiro de Deus em relação ao casamento é que este seja de caráter perene, ou seja, o casamento é indissolúvel. È evidente que o caráter perpétuo do casamento exclui qualquer tipo de divórcio, que Jesus qualifica como pecado.” (REIFLER, Hans Urich. A ética dos dez Mandamentos. São Paulo:Vida Nova ,1992 ,Pg149).

Conforme afirmação a seguir:
“Quando Jesus proferiu estas palavras ele estava claro que aquilo que Deus uniu o homem não teria condições em termos morais para desfazer, mesmo que haja uma separação de corpos a dissolução do matrimonio não acontece. Quem é o homem para separar o que Deus uniu?” (Divórcio contra ou a favor A bíblia responde. Vitória:série proposta 1987,p.24)
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Não foi o plano de Deus que falhou, os seus planos sempre são perfeitos, quando o Senhor instituiu não havia espaço para a separação. O divórcio veio a existir por causa da dureza do coração do homem, Mateus. 19, v8 e não por causa de Deus.
A vontade do criador é que o homem e mulher, uma vez se unindo em matrimonio, permaneçam unidos pelo resto de suas vidas não importando o que possa acontecer durante a relação entre ambos. Relação que se for firmada no Senhor e estiver na dependência de Deus, não sofrera danos que conduzem separação.
Um homem e uma mulher, casados por toda a vida esta é a vontade do Senhor para a raça humana. (Haley. Manual Bíblico.4. ed.São Paulo: vida nova,1994,p.390.) Marido  e mulher devem de estar juntos  na  alegria ou na  tristeza , na  saúde ou na doença ,na prosperidade ou na adversidade só a morte pode separa-los.(Rm 7:2;1 1co7:39). Além de ser perpétua, a vontade de Deus para o casamento era que este fosse o meio pelo qual a humanidade pudesse crescer em números, o aumento populacional deveria acontecer dentro do casamento.


3.4 Perpetuo
Como forma de perpetuar a raça humana legítima, ou seja, sem promiscuidade sexual o casamento foi instituído.
“Os filhos são uma consequência automática do casamento sendo estes também uma prova da legitima da união conjugal, no entanto a legitimidade do casamento não se faz necessariamente dependente da paternidade, os filhos são resultado natural e biológico, porem não necessário, matrimonio. Isso significa que o casamento é valido mesmo que não haja filhos; não perde o seu valor e caráter, embora perca o seu resultado  biológico.” (11 Reifer,Hans urich.A ética dos dez Mandamentos.São Paulo:Vida nova.1982,p.150 ).

Na cultura hebraica, no  entanto o fato de não poder ter filhos é considerado um castigo de Deus, visto que o texto de Gênesis 1.28,expressa que: “E Deus abençoou e lhes  disse :Sede fecundos ,multiplicai -vos ,enchei a terra...” De acordo com o versículo dava-se a entender que se o casal não pudesse ter filhos não estava sendo abençoado por Deus ,porque significava praticamente a extinção da família, visto que os pais acreditavam que continuavam vivendo nos filhos, estes eram considerados uma grande benção, conforme diz nos livros Dt28.4;Sl128.3.Quanto mais filhos a pessoa podia ter ,tanto melhor."Feliz o homem que enche dele a sua aljava"Sl127.5a.
Dai a importância que para um Hebreu promover posteridade, porque através dela alcançaria em seus herdeiros o cumprimento das promessas divinas. Por isso, não ter filhos, para uma mulher estéril era uma maldição de Deus. (LACUEVA, Francisco. Curso de formacion Teológica Evangélica. Tomo X.èticca cristiana .Terrassa :MisionEvangélica Bautista de Espãna,1975).
“Como vemos a procriação é importante no contexto do casamento com a aprovação de Deus, mas não é o único alvo da união conjugal, nem mesmo mais importante, se assim fosse, os casais deveriam separar-se quando a mulher deixasse de ser fértil (geralmente por volta dos 45 anos de idade”). (REIFLER, Hans Urich. A ética dos Dez Mandamentos.São Paulo:vida nova.1992,P.150).

A procriação além de uma forma de encher a terra, também dá ao homem e á mulher a alegria e o prazer de serem mordomos de Deus, igualmente neste sentido de zelar e proteger os filhos que em última instância é um presente de Deus.

4- O divórcio conforme a lei e os profetas.

 É visível que o antigo testamento como um todo do divórcio, mesmo que, implicitamente, seja no âmbito do relacionamento entre os homens ou nas relações entre o povo de Israel e Deus. A Bíblia em Isaias 50: v1 diz: “Assim diz o Senhor: Onde está a carta de divórcio da sua mãe pela qual Eu a repudiei?”.
 O assunto a seguir cuidara de tratar do divórcio no contexto da lei e dos profetas. Em foco estará Deuteronômio que traz formulação da lei do divórcio. No que se refere aos profetas, analisar-se-á Esdras e Malaquias.

4.1 O divórcio em Deuteronômio.
O capitulo 24 do livro de Deuteronômio é um texto principal para a questão do divórcio, como já foi dito é o texto que traz a formulação da carta ou a instituição do divórcio para o povo Hebreu. Mas não só a instituição da carta de divórcio é abordada em Deuteronômio, mas também qual a finalidade da regulamentação do divórcio bem como a situação na qual ficara a mulher que é repudiada pelo seu marido.
Antes de prosseguirmos, nada melhor que entender o conceito de divórcio, pois, tendo visto a questão do casamento e o seu significado, passaremos a discorrer sobre este assunto de extrema importância, o qual tratará a seguir.

O que é o divórcio.
O divórcio é a dissolução do vinculo matrimonial, o rompimento da aliança, celebrada diante de Deus, perante um ministro, ou autoridade eclesiástica ou diante da sociedade, representada pela autoridade civil, encarregada de oficiar o casamento, dando o direito de novas núpcias. (Dt. 24.2)
Segundo a etimologia da palavra divórcio tem como origem o Latim DIVORTIUM, “separação, dissolução de casamento”, de DIVERTERE, “voltar-se para direções diferentes”, de DIS, “fora”, mais VERTERE, “virar-se para, tornar”.( http://origemdapalavra.com.br/palavras/divorcio/)23/04/2013.
Sobre a palavra divórcio ainda descreve Diniz:“(...) Dissolução de um casamento valido, ou seja, a extinção, do vinculo matrimonial, que se opera mediante centença judicial, habilitando as pessoas a convolar novas nupscias”. (DINIZ, Maria Helena. curso de Direito Civil Brasileiro, Volume cinco. 23ª ed São Paulo: Saraiva,2008.P330.).
2.1.2 A origem da carta de divórcio.
Sabe-se que Deus não criou o divórcio, mas apenas permitiu no caso de “indecência”. Assim relata no livro de Deuteronômio 24.1: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e lhe lavrar em termos de divórcio e lho der na mão, e a despedir de casa”.
 Alguns argumentam que a indecência era a infidelidade conjugal, no entanto esta interpretação não parece ser razoável visto que a lei ordenava o apedrejamento do adultero. Assim muitos argumentam baseados neste texto que qualquer coisa que não agradasse ao marido, seria o motivo para o divórcio.
No tempo de Moisés ,assim como em outros tempos os hebreus, eram cruéis com suas esposas, por causa desta crueldade e dureza de coração, Deus permitiu o divórcio. Esses hebreus cruéis divorciavam de suas esposas “por qualquer motivo” (Mt. 19.13).
“O divórcio poderia acontecer por questões banais, como, por exemplo: Se elas queimavam o pão, ou não temperavam a comida adequadamente ou se não gostasse de suas maneiras, ou se não era boa dona de casa; se ela estragava um prato ao prepará-lo; até se encontrasse outra mais bela do que ela. Ou ainda, se usasse cabelos soltos, se andasse pela rua sem motivo, se falasse com homens que não fosse seus familiares, se maltratasse os pais do esposo, se gritasse com o marido de maneira que os outros ouvissem”´.( RENOVATO, Elinaldo.A família cristã e os ataque do inimigo.1ª Ed. Rio de Janeiro2013, p.82)
O divórcio era feito, baseado nos interesses e desejos do marido, visto que no contexto histórico e cultural do antigo testamento a sociedade era patriarcal por excelência, e o homem tinha a hegemonia em tudo, desde o governo, a liderança e a preeminência absoluta, no lar no casamento e nas decisões mais importantes da vida social. Dessa forma o divórcio era um direito e também um privilégio do homem, chegando à banalização do casamento, pois era feito somente de forma verbal na presença de testemunhas, na verdade não havia nem um documento ou legislação acerca deste fim trágico do casamento. Desta forma Moisés percebe a necessidade de uma legislação que regulamentasse esta pratica que já vinha em uso algum tempo entre o povo hebreu.·.
O texto de Deuteronômio traz uma boa contribuição para a discussão
 do tema divórcio, Deuteronômio 24.1-4 diz:
“Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos olhos, por ele ter achado coisa indecente nela, e se lhe lavrar um termo de divórcio, e lhe der na mão e a despedir de sua casa; e se saindo da casa, for casar com outro homem, e este se aborrecer, e lhe lavrar um termo de divórcio e lhe der na mão, e a despedir de casa, ou se este ultimo homem, que lhe tomou por mulher ,vier a morrer então marido ,que a despediu ,não poderá tornar desposa-la, para que seja sua mulher ,depois que foi contaminada :pois é abominação  perante e o Senhor ; assim não faras pecar a terra que o Senhor teu Deus te da por herança”.( BÍBLIA SAGRADA, ed. CPAD,1997,p.324)
É bem verdade que a questão do divórcio era assunto tratado nas sociedades mais antigas, e inclusive estas sociedades possuíam suas leis jurídicas e códigos onde já configuravam o divórcio como uma instituição social inquestionável. Sabemos que o código de Hamurabi (1972-1750 a.C.) legislou claramente sobre este assunto.
E como se sabe que o mesmo veio a se tornar uma pratica vulgar dentro da sociedade hebraica. Era como termômetro avaliando o estado de deterioração em que se encontrava a família.
Tudo que um hebreu precisava fazer se desejasse divorciar-se da sua esposa que possuía era dar lhe carta de divórcio, em presença de duas testemunhas. O casamento estaria então legalmente dissolvido, e ambas as partes livres para contrair novas núpcias.
Mas como observamos que Moisés não estava instituindo o divórcio aqui em Deuteronômio, sendo que apenas regulando uma pratica que estava fugindo das leis da aceitação. Assim o trecho em questão é muito mais uma questão de permissão do que uma ordem.
                        
Percebe-se em Deuteronômio 24:1-4 um exemplo de caso bíblico legal:
“Em que certas condições (‘’se’’) são estabelecidas e acabam se tornando em mandamento (‘’então’’). Vemos neste texto, os versículos de 1 a 3 que especificam as regras a serem aplicadas na execução do mandamento do verso 4. A lei se aplica a um caso particular de novo matrimonio. Sua intenção não é dar sanção legal ao divórcio. Mas caso de que a esposa houvesse contraído um matrimonio intermediário.”(LANE,J Carl.In  House,Hw. Divórcio y Segundes Núpcias, Cuatro pontos de vista cristianos,p.17.)
“Fica evidente que o que Moisés queria apenas regulamentar um dos três males que acometiam o povo judeu, a escravidão, a poligamia simultânea e sucessiva, e o desprezo à mulher.” (FLORENCIO, Paulo S. Divórcio contra ou a favor? A bíblia responde. Vitória: série proposta. 1987, p32)

O conteúdo da carta de divórcio.

Pela importância dessa carta extraída de um documento do século Xll, deixada pelo rabino Maimônides que outras autoridades judaicas registraram. Sendo que uma vez decidida quanto à necessidade de divórcio, o marido entregava á esposa repudiada a seguinte carta, preenchidos os espaços reticentes, de acordo com o caso:
“No... dia da semana; no dia... do mês..., no ano..., eu, filho de..., da cidade de..., junto ao rio..., por esse documento, consinto de vontade própria, não sofrendo coação alguma eu,libero ,repudio, afasto a ti minha esposa..., filha de... que neste dia, na cidade de..., junto ao rio..., e que foi minha esposa durante algum tempo. E assim eu a libero e a mando embora, e a afasto para que possa estar desobrigada a ter domínio sobre si mesmo, para ir casar-se com o homem que desejar, e não esta obrigada a nenhum homem; isto será para você de minha parte um termo de dispensa, um documento de emancipação, uma carta de liberação, de acordo com a lei de Moisés e de Israel.
Testemunha.............................................filho de .......................................
Testemunha..............................................Filho de........................................
 ( OLIVEIRA,Raimundo Ferreira de. ÈTICA  Cristã EETAD, 3ª ed. 1999 Campinas São  Paulo)
        
4.2 O divórcio No tempo de Esdras
Esdras era sacerdote, escriba e escritor do livro que leva o seu nome. Era um dos cativos de babilônia onde provavelmente nasceu. Segundo relato bíblico no livro de Esdras, capítulo 7 e versículo 6:
“Esdras subiu de Babilônia: e era escriba versado na lei de Moisés, que o Senhor Deus de Israel tinha dado; e, segundo a boa mão do Senhor seu Deus, que estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.” (BÍBLIA SAGRADA, ed. CPAD,1997,p.708).

Conforme diz no livro de Esdras capítulo 7 e versículo 9:

“Pois no primeiro dia do primeiro mês foi o principio da partida de Babilônia; e no primeiro dia do quinto mês chegou a Jerusalém, segundo a boa mão do seu Deus sobre ele. Então todos os homens de Judá e Benjamim em três dias se ajuntaram em Jerusalém; era o nono mês, aos vinte dias do mês: e todo povo se assentou na praça da casa de Deus, tremendo por esse negócio e por causa das grandes chuvas.” (BÍBLIA SAGRADA, ed. CPAD,1997,p.719).


Era o sacerdote Esdras “escriba versado na lei de Moisés” volta a Jerusalém conduzindo um grupo de exilados judeus libertados do cativeiro babilônico. Esdras já estava em Jerusalém há quatro meses.
“Quando então toma conhecimento de através de um grupo de líderes que havia entre um povo um grave problema. O qual ficou muito triste quando soube que alguns judeus da palestina inclusive sacerdotes contrários a lei de Moisés, haviam desposados mulheres pagãs.”(DAVIS, John. Novo dicionário da Bíblia.  Editora Hagnos. São Paulo, 2005. P 421)

Tal atitude contrariava os preceitos divinos de se manterem afastados dos outros povos para que pudessem assim manter a sua pureza racial e religiosa.
 Conforme esta registrada no livro de Esdras Capítulo 7, versículo 10: “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor, e para cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos”.
 Acabadas, pois estas coisas. Esdras possuía um profundo conhecimento da lei. Os judeus dizem, que: Se a lei não tivesse sido dada por Moisés. Esdras merecia esta honra de ser o legislador dos hebreus. (Pequena enciclopédia bíblica. Os Boyer. 15 impressão1989. Pag. 239. Editora Betânia).
O mesmo sabia que Deus proibia o casamento dos judeus com os outros povos, pois isso conduziria o povo á apostasia e adoração aos falsos deuses.
“Quando o Senhor teu Deus te houver introduzido na Terra, à qual vais para possui-la, e tiver lançado fora muitas nações diante de ti, os Heteus, e os Girgaseus. E os Morreus, e os Cananeus, e os Pazireus, e os Heveus e os Jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que tu: E o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirá; não farás com ela aliança, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas. Não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos, pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se ascendera contra vós, e de pressa vos consumira”. (BÍBLIA SAGRADA, Deuteronômio 7, versículo 1-4 ed. CPAD,1997,p.303).

Podemos também encontrar no livro de 2 crônicas capítulo 7, versículo 14: Judá tem sido desleal, e a abominação se acometeu em Israel em Jerusalém. Porque Judá profanou o santuário do Senhor o qual ele ama ,e se casou com a filha de deus estranho.
Esdras agora enfrentava uma situação delicada, pois tal atitude atacava a lei de Moisés. E Esdras queria evitar a todo custo não só a maldição sobre o povo, mas também a destruição de uma cidade que estava recomeçando. Esdras tinha plena consciência e sabendo que a situação era grave, coloca-se em oração buscando uma resposta de Deus.
O Senhor mandara sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixastes. Assim diz no livro de Deuteronômio capítulo 8,versículo 20.
Não há duvida que quando o povo do Senhor busca a sua face em oração, ele, é ouvido e obtém a resposta. Conforme o próprio Deus falou a Salomão no livro de 2 crônicas capítulo 7 e versículo 14 : “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome se humilhar e orar e buscar a minha face e se converter de seus maus caminhos então eu os ouvirei dos céus, e perdoarei os seus  pecados ,e sararei a sua terra.”
Como se observa Esdras obteve resposta da oração, podemos encontrar no livro de Esdras capítulo 10 e versículo 1 a 3:
 “E Deus despertou a mente do povo, o qual tomou consciência do mal que estava no seu meio. Visto que um representante do povo, chamado Secanias ,mesmo estando entre os transgressores apresentou-se a Esdras ,denunciando o erro do povo ,e ao mesmo tempo pedindo que este conduzisse o povo a uma restauração segundo a lei de Deus.

  É importante, que se faça uma consideração gramatical neste relato de Secanias em Esdras 10:3: “Agora, pois, façamos aliança com nosso Deus de que despediremos todas as mulheres e os seus filhos, segundo o conselho do Senhor, e dos que temem ao mandato do nosso Deus; faça-se segundo a lei”.  
“A palavra despedir (yassa,lit “fazer sair”) não é a palavra comum para divórcio. O verbo comum para “divorciar” no antigo testamento é uma forma de salah, “enviar para fora” ou “despedir”. É possível que Secanias tentasse apenas uma separação legal a um divórcio tradicional Com implicação de direitos a um novo matrimonio.”(LANEY,J, Carl.In:HOUSE,H.W.Divórcio  y segundas nupsias,cuatro  ponto de  vistas dos cristianos,p20.)

Quando Secanias incentiva para que seja feito conforme a lei (Esdras 10:3),ele está provavelmente fazendo referencia ao texto de Deuteronômio 7:1-4,e não a Deuteronômio 24:1-4,visto que aquele faz referencia á proibição divina no tocante a casamentos mistos ,este por sua vez refere  as causas  do divórcio.
“O povo então é convocado por Esdras para tomar uma atitude de restauração, ou seja: separar-se de suas esposas estrangeiras (Esdras 10:10-11). No discurso não aparece á palavra salah termo comum para divórcio, mas sim uma forma reflexiva de badal(separar-se de)”.(HARRIS,R.L.ARCHER,G.L.WaltKE,B.K.Dicionário internacional de teologia do A.t São Paulo .Vida Nova.1998,p151.)

Nestes dois relatos e também em Esdras 9.1 a palavra usada não significa divórcio, mas simplesmente separação.
Não é objetivo de esta monografia trabalhar com base em conjecturas, mas não seria de todo absurdo dizer que Esdras não estava neste texto e contexto fazendo uso da lei de divórcio relatada em Deuteronômio 24:1-4. É importante sabermos que este relato no livro de Esdras não tinha  como objetivo maior ser uma doutrina sobre divórcio e novo casamento, mas sim de esclarecer os cuidados que devem ser tomados pelo povo de Deus para evitar a  mistura de raças, a contaminação com o impuro, a  apostasia e as consequências  provenientes da violação das santas leis de Deus.
Levando em consideração o texto bem como a dificuldade de se entender o que ocorreu após a separação dos casais mistos, (se voltaram a viver juntos, se houve mesmo separação no sentido de divórcio e se com esta separação abriu-se a possibilidade de um novo casamento), não se pode encerrar o assunto e dogmatiza-lo em sua interpretação. Contudo é bem possível que nem Esdras e Secanias tivessem em mente o divórcio legal de Deuteronômio 24.1-4, mas simplesmente uma separação de corpos temporária através da qual os judeus se purificariam e se consagrariam e fariam oferecimento de sacrifícios a Deus (Esdras 10:19). Depois deste período de consagração então os judeus se purificam e se consagrariam e fariam oferecimento de sacrifícios a Deus (Esdras 10:19).Depois deste período de consagração então os judeus poderiam retornar as suas esposas e continuar casados(21:10-14).
4.3 O divórcio em Malaquias            
Ao contrario de Esdras o divórcio em Malaquias não era a consequência de casamentos   mistos .Os casamentos mistos realizados por homens judeus é que  eram feitos após o divórcio destes com suas mulheres judias.(  FEINEMBERG,Charles L.OS profetas menores.Miami:vida,1988,P.337.) Não era justo que as esposas fossem trocadas por outras mais jovens e formosas  ,visto que foram elas ,as esposas judias ,foram as que passaram as dificuldades junto ao marido  e filhos não era justo que elas agora fossem deixadas de lado.( Filho,I.G.C.Malaquias nosso contemporâneo.Rio dejaneiro: JUERP,1988,P.53).
 Como se percebe, oque Malaquias esta condenando é o abandono por parte do marido judeu de sua esposa para unir-se a uma`` filha  de deus estranho ´´(Malaquias 2:11).
Assim era a atração e envolvimento de judeus por mulheres de outros povos e o consequente abandono de sua esposa. Isto fazia do judeu culpado em dois sentidos: 1º Por desobedecer a uma ordem direta de Deus de não casar-se com gentias (Deuteronômio Cap 7 ver14).2º  O divórcio de sua  esposa Judia(  Malaquias 12:16)
O pecado  do casamento misto não só viola o pacto de Deus  com os patriarcas diminuindo a fé  que distingue a existência nacional de Israel ,como também fere a santidade de Deus e do seu povo
                                                      O pecado também profana ao santuário      (literalmente a santidade) de jeova   o que  e                               era profanado ou degradado não era o
                                                      Senhor mesmo, mas sim, aqueles que era
                                                      Eram santos em virtude da sua  relação
                 Com um Deus Santo. A designação``santuário do Senhor´´(Malaquias Cap 2ver11),é uma referencia ao povo escolhido de Deus( Conforme  Jeremias 2:3;Esdras9:2),e não templo como indica a tradução. (LANEI,J.carl.In: HOUSE,H.W.Divórcio Y Segundas núpcias ,quatro pontos de vista cristianos. P. 24)



No tocante ao divórcio do homem judeu com sua esposa judia Malaquias é enfático ao afirmar que: ``Deus odeia o divórcio´´(Malaquias2:16).Na opinião infalível de Deus, o divórcio é uma coisa má que merece o seu ódio. Estas palavras fortes no começo do verso 16 sublinham oque constitui o ponto de vista divino sobre a permanência do casamento. ( Wolf ,H,Ageu e Malaquias .Miami:vida,1988,P.337)
O versículo 15 do capitulo 2 de Malaquias é um dos mais fortes argumentos contra o divórcio .No entanto ,ao mesmo tempo é considerado o verso de mais difícil interpretação de todo o livro de Malaquias dada a sua construção gramatical passível de varias interpretações(FEINENBERG,Charles L.Os profetas Menores.Miami:Vida ,1988 p337.)
O problema se constitui em definir quem é ``um´´  ou ``único´´,  Alguns pensam em ser Javé ,outros  ser Abraão ,há quem julgue ser Adão (Ibid)
Na verdade diante de varias possíveis  interpretações  se torna difícil de fazer uma opção entre elas .Porem se a tradução da ERAB estiver correta atribuindo  assim a Abraão o ``um´´, os judeus teriam uma boa desculpa  para fazerem oque estavam fazendo ,visto que o patriarca Abraão  havia tomado uma esposa pagã Hagar ,logo eles os judeus teriam uma boa desculpa para fazerem o mesmo. Porem o patriarca não só tomou uma esposa judia como também se divorciou da mesma assim os judeus de então também poderiam se divorciar  baseados na mesma atitude de Abraão. Entende-se que  que este argumento baseado na atitude de Abraão correto pois Abraão casou com  Hagar por  sugestão de  Sara sua esposa. .Logo  percebe-se que    o casamento de Abraão não foi mediante o divórcio com sua esposa judia. (Gn16:1-3).O projeto  tanto  de Abraão como de Sara não era  destruir um lar e construir outro ,mas sim fortalecer o seu lar  ``ajudando´´ a Deus no cumprimento da promessa .Quanto ao divórcio de Abraão o argumento ainda é mais fraco ,Abraão se separou de  Hagar  após ter recebido uma ordem direta de Deus (Gn2:10),como se percebe o divórcio não foi com`` a mulher da tua mocidade´´(de Abraão),(Malaquias 2:14)mas com uma estrangeira, bem diferente que os judeus viviam em Esdras.( Wolf,H,Ageu e Malaquias .Miami:Vida 1986,P.98)
É natural, portanto, que uma vez que Malaquias está falando de divórcio, que ele faça alusão ao plano original de Deus para o casamento. .Percebe-se que Feinemberg   concorda plenamente com esta ideia ,
Comparando Gênesis 2:24:``uma só carne´´ com ``um´´ aqui. No                                                   relacionamento matrimonial Deus fez dois em  um. Uma só esposa foi provida para só um homem, embora Deus tivesse o poder do Espiri-
              To  para criar para o primeiro homem, Adão diversas esposas.
              Mas, porque Deus só criou uma mulher para o homem? Ele buscava uma descendência piedosa e desejava continuar um restante piedoso também.(FEINRMBERG. Charles l.Os profetas menores.Miami:Vida ,1988P338.


O  divórcio  e a poligamia não são propícios á criação dos filhos no temor do Senhor. Analisando percebe-se que ,estes feitos não colaboram em nada para obter a semente  piedosa na genealogia  do Redentor prometido. A intenção de Deus em uma descendência piedosa para o Messias estava sendo deturpado ,para não dizer anulado pelos judeus por causa dos seus divórcios e casamento mistos.
``Portanto cuidai de vós mesmos e ninguém seja infiel com a mulher da sua mocidade´´(Malaquias ,Cap.2,ver15).Com isso Malaquias adverte o povo para que este cuide e pare de praticar abominação ao Senhor ,abstendo-se das impurezas nos casamentos mistos e do divórcio entre os próprios judeus.
Pode-se afirmar categoricamente com base em Malaquias 2-16que  Deus odeia o divórcio,ou o abandono  da esposa por parte do marido e ainda da mulher que abandonava o marido .O texto de Malaquias contem a palavra Shalach, que tem sido motivo de discussão entre alguns estudiosos do assunto divórcio e novo casamento .Esta palavra é interpretada como divórcio ,para outros apenas como repúdio,
                    

Deus odeia o repúdio. O profeta Malaquias, com seu coração compadecido, implorou ao povo de Deus que parassem com isto
A palavra traduzido por ``repudio´´ em Malaquias2:16 não é uma palavra hebraica para divórcio, mas é Salash, repùdio. (CARVALHO,E,R. Quando o vinculo do amor se rompe. Divórcio e novo casamento.Viçosa:Ultimato,200,p.96)

Mas se em Malaquias 2;16 o divórcio não acontecia com base em deuteronômio 24:1-4.Qual então era a base para a separação entre os  judeus?O que realmente estava acontecendo?

A este respeito, Callinsom faz um argumento:
                                                                                        Se não se divorciava, o que faziam o homem daquela época com a primeira esposa quando tomava outra? Punha-a de lado. Há uma palavra para isso no Antigo Testamento. A palavra hebraica shalach. Ela é diferente da palavra divorcio, que é Keriythuwth (como em Jeremias 3:8), que literalmente significava excisão ou corte do vinculo matrimonial. O divorcio legal era escrito como pedia Deuteronômio 24, e o novo matrimonia era permitido. Shalach normalmente é traduzido por “repudiar”. As mulheres eram “repudiadas” quando seu marido casava com outra, para estarem disponíveis quando necessitavam  dela, ou a queria novamente, repudiadas para sempre propriedades, como escravas, ou ficando em isolamento total. Eram dias cruéis para as mulheres. Elas eram “repudiadas” para favorecer outras, mas não lhe era dada carta de divorcio e, consequentemente, tampouco o direito de se casarem novamente. Essa palavra descreve uma tradição cruel e comum, mas contraria à Lei judaica.
Se fosse assim, então o homem estaria cometendo poligamia. O que não era aprovado por Deus, e ainda estaria cometendo abominação ao senhor, uma vez que estaria recebendo de volta a mulher que já tinha despedido.
Callison parte do principio de que shalach é a palavra para repúdio, enquanto keriythuwth é a palavra para divorcio, fazendo assim acepção entre os termos e os seus correspondentes.
 No entanto se faz necessária uma objeção a esta forma de interpretação destas duas palavras hebraicas. Visto que shalach era uma palavra comum para designar o divorcio. Neste contexto, segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.
O verbo shalach significa “enviar”, “mandar embora”, “soltar”, “espalhar”, “disseminar ( contendo discórdia ), “esticar ( a mão ou uma vara)”, “ lançar ( raízes e ramos)”,e, empregado junto com esh, “fogo”, tem o sentido de “acender”. O divorcio é mandar a esposa embora.
 Ainda segundo a mesma obra, Keriythuwth ( rompimento de relações, divorcio), é uma palavra que aparece poucas vezes no Antigo Testamento. Parece bastante provável que esta palavra esteja relacionada com a raiz karat que significa: cortar fora (uma parte do corpo, cabeça, mãos) talhar, abater árvores, derrubar ídolos ( cotando-lhes a base); eliminar,matar,fazer (aliança).
 Assim sendo, tanto shalach  quanto Keriythuwth são termos comuns para divorcio, enquanto shalach é o ato de mandar embora a esposa, Keriythuwth é o documento que legaliza esta situação. Portanto as duas palavras são sinônimos desligando cada qual uma face diferente de um mesmo evento.
Disto é impossível afirmar que o divorcio em Malaquias não aconteceu, nos mesmos moldes do divorcio em Esdras. Enquanto este tratava de divorcio entre judeus e gentios, aquela trata de divorcio entre homens judeus e suas esposas judias. É conclusivo então afirma com relação ao livro de Malaquias que Deus odeia o repudio ( ato de mandar a esposa embora) e o divorcio ( documento concedido) da mesma forma, visto que são duas faces de um mesmo ato de abominação ao Senhor.
Deus declara de mania inequívoca que Ele odeia o divorcio, a rejeição das pessoas: “ Porque o Senhor o Deus de Israel dia que odeias o repudio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa diz o Senhor dos exércitos, portanto guardai-vos em vosso espirito, e não sejais desleais.

             



O divórcio no novo testamento.

O divórcio na lei judaica nos tempos de Jesus.

Na sociedade judaica existiam duas escolas importantes, que ditavam as regras de comportamento para a sociedade. Essas normas eram vigentes no tempo de Jesus ambas discutiam muito sobre a questão do divórcio baseado em Deuteronômio.  Cap .24ver1,ambas discutiram  muito a questão em foco porem sem progresso algum.
a)      A escola de Hillel . fundador da`` Casa Hillel´´nasceu na Babilonia ,a um século antes de Cristo, viveu sempre do seu trabalho manual e estudou com os rabinos Shemaiah e Abtalvom. (  Ref . ROTH `` Hillel´´ .In KOOGAN,A. biblioteca da cultura judaica). Este era um rabino de visão liberal,  notável pela sua tolerância e humildade  e favorecia a posição do homem em relação  a mulher   , Pois para ele o homem poderia  divorciasse de sua mulher`` por ``qualquer   motivo´´por qualquer coisa feia´´ ,ou``  coisa``indecente´ ´ considerava  a  expressão`` coisa indecente`` como qualquer coisa que o marido não gostasse  na mulher.O  Dr.Alfred Edersheim. citando a Mishná Diz que  `` coisa indecente´´  para Hillel era ``no sentido mais amplo possível e declarava que havia base para  o divórcio, se uma mulher perdia o jantar do  seu marido´´. (EDERSHEM,  ALFRED-La Vida y los tiempos de Jesus o Mesias,Pg,280,Tomo II,Clie ,Madrid,1989.)
Por exemplo :Se passasse a achar feia a sua mulher isso era considerado ´´coisa indecente´´. Se a comida preparada por ela  já não lhe agradasse, era também tido como coisa`` indecente´ ´assim o homem se divorciava quando queria  pois havia  razões de sobra dentro da concepção de Helliel.
Na verdade o divórcio não protegeu a mulher, dando o direito a uma nova oportunidade de constituir um lar, pelo contrario fez dela em potencial dos caprichos machistas.
Na verdade a mulher podia, ``como exceção, divorciasse, no caso de  ser o marido um leproso ou trabalhar em serviço sujo ,por exemplo ,em curtume, ou em uma caldeira , e também no caso de apostasia religiosa ,caso abraçasse uma religião  herética´´ Este ultimo  conceito  não tem base veterotestamentario.Era uma evolução da lei judaica.( Elinaldo  Renovato de  Lima, A família Cristã e os ataques do inimigo  p 84 Cpad 1º Ed 2013 Rio de janeiro)   

b)  A escola Shamaita  , fundada pelo Rabino Shamai ,  este rabino possuía  uma interpretação  extremamente radical, era rigoroso em questões morais mas ao mesmo tempo amável e bom mestre, ele insistia dizendo que o divórcio só seria legitimo em caso de  adultério  .(ROTH,C.``Shamai´´.In :KOOGAM,A.Biblioteca da cultura  Judaica .V3 P 1083.)

De certa forma era uma evolução do pensamento Judaico, pois uma leitura cuidadosa  de Deuterenomio,24.1 da a entender que  a mulher só podia ser despedida se o homem  achasse  nela “coisa feia ´´ou `` coisa  indecente´´, sem que isso fosse a pratica de infidelidade ou prostituição ,visto que  à mulheres infiéis só restava a pena de morte(Cf Lv Cp  20:10 ;Dt 22.20-22)
Embora a discussão entre os interpretes da lei sobre os motivos legítimos para a concessão do divórcio, os argumentos tinham base a interpretação das duas escolas. Mas nem uma delas tinha uma autoridade  final, que convencesse  o suficiente, para fechar o assunto ,então a discussão permanecia em aberto mais uma vez.      


                         



 
O divórcio nos evangelhos
 A questão do divórcio volta à tona, já no evangelho de Mateus  quando os fariseus trazem o assunto a Jesus, conforme nos relata o evangelho  Mateus Cp 19.3 .
Vieram a ele alguns fariseus e o experimentaram perguntando. É licito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?
Segundo John Davis no novo dicionário da bíblia:
                     Fariseu quer dizer “separado’’ era uma das três principais,
seitas judaicas com as dos saduceus e os essênios. Era a seita mais segura da religião judaica, conforme Atos 26:5.
Com certeza a seita dos fariseus foi criada no período anterior a guerra dos Macabeus com o fim de oferecer resistência ao espirito helênico que se havia manifestado entre os judeus, tendente a adotar o costume da Grécia. Todos quantos aborreciam a pratica desses costumes pagãos, tão espalhados entre o povo foram levados a desenvolver forte reação para observar a lei de Moisés. (Novo dicionário da bíblia-John  D.  Davis  Ed Ampliada e atual-SP :Hagnos ,2005. Pg  472)
Eles queriam saber se Cristo tomaria partido de Shammai ou Hillel, mas Jesus foi mais longe desconsiderou as escolas rabínicas e com autoridade reivindicou a palavra de Deus.











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