sexta-feira, 7 de abril de 2017


REVELAÇÕES DE ISAÍAS CAPITULO 49
Esta secção está especialmente ligada a Isaías 42:1-7, onde fora primariamente anunciada a missão do servo do Senhor. Tal missão será corajosamente levada a cabo para instrução, consolo e conforto de Israel, representado como afundado no desespero, já que se considera irremediavelmente abandonado por Deus. No capítulo presente, Javé reitera que a missão do Seu servo terá definitivamente lugar, para alívio de Sião.

Em relação ao Seu servo, Javé...
·         Chamou-o desde o ventre;
·         Fez menção do seu nome;
·         Fez da sua boca uma "espada aguda";
·         Cobriu-o com a sombra da Sua mão;
·         Fez dele uma "flecha penetrante";
·         Apontou-o como Seu servo;
·         Comissionou-o não só para recuperar Israel, mas também para ser a luz dos gentios, estendendo a salvação de Deus até aos confins do mundo;
·         Vai ajudá-lo;
·         Vai, através dele, libertar os cativos e causar alegria em qualquer parte do céu ou da terra.

Todas estas coisas não poderiam ser ditas acerca de uma pessoa aleatória; trata-se de alguém muito específico, escolhido pessoalmente por Deus.

Versículo 1
Agora que importantes declarações se vão fazer acerca da missão do servo de Javé, o mundo inteiro é convocado a escutar, já que o assunto é do interesse de todos. A frase "o Senhor me chamou desde o ventre" não pode aplicar-se a Isaías; afinal, a sua vocação profética só ficou assente durante a idade adulta . Cristo, porém, recebera uma missão e o seu nome quando estava ainda no ventre da sua mãe (ver Mateus 1:21 e Lucas 1:31-33).

Versículo 2
A experiência cristã comprova que um poder cortante e intenso, semelhante ao de uma aguçada flecha, se aplica aos ensinamentos de Jesus, cujas palavras perfuram o coração e se enraízam na alma, não podendo ser esquecidos. Javé manteve Jesus sob a sombra da Sua mão, quer por o proteger da malícia, quer para reservar a sua existência oculta até ao momento certo. Como "flecha perfurante", Jesus manteve-se guardado na aljava de Deus até que chegou o momento para ser eficazmente lançado contra os corações iníquos dos homens.

Nota de um estudo anterior:
PROFECIA REFERENTE A JESUS: (Isaías 49:2)

"Tornou a minha língua semelhante a uma espada afiada, cobriu-me com a sombra da sua mão. Fez de mim uma flecha penetrante, guardou-se na sua aljava."

·         Em Salmo 127:4, lê-se: "Tais como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude."
·         Assim, a flecha na aljava diz respeito a descendência.  Se Jesus era uma "flecha" na "aljava" de Deus, isto demonstra a sua descendência divina.

Versículo 3
Que o "Israel" literal não é o sujeito deste versículo fica bastante evidente no versículo 5. O "servo" de Deus é chamado de Israel porque actuaria dali em diante como representante da nação renovada, e faria jus a tal nome (que significa 'Príncipe com Deus'). O "servo" permitiria purificar os homens e levá-los a glorificar a Javé com os seus corações.

Versículo 4
O "servo" ficou momentaneamente desapontado, vendo os pequenos resultados de todos os seus esforços na recuperação de Israel, e sentiu um arrependimento natural e humano quanto ao trabalho despendido, aparentemente em vão; contudo, esta sensação logo se dissipou graças ao pensamento de que Deus nunca deixaria de recompensar um trabalho com tamanho mérito. Este versículo faz transparecer a profunda humanidade do "servo", que sente aquilo que os humanos comummente sentem, mas que não deixa os sentimentos controlar as suas acções.

Jesus demonstrou emoções humanas de transtorno e desapontamento - ver Mateus 23:37 e João 11:35.

Versículo 5
Muitos dos apóstolos de Jesus eram judeus; de facto, tudo o que era verdadeiramente espiritual no judaísmo acabou por fluir para a Igreja de Cristo, sendo o elemento judaico abundante e impossível de negar. Assim, o "servo" viria  a possibilitar a congregação de Israel.

Versículo 6
Deus recompensa os Seus servos proporcionalmente aos trabalhos que realizam, já que É sumamente justo. Os múltiplos trabalhos de Jesus não seriam insuficientemente recompensados caso Deus permitisse somente a conversão dos judeus ("tribos de Jacob"). Assim, Javé concedeu-lhe como recompensa a possibilidade de representar a salvação para todas as pessoas do mundo, sendo a "luz dos gentios" até à "extremidade da terra".

Versículo 7
Este versículo representa a primeira vez em que é focado o desprezo a que estaria votado o "servo" de Deus por parte dos homens. Existe tamanho antagonismo entre o pecado e a santidade que os ímpios, em qualquer momento da História, sempre detestaram as pessoas bondosas e virtuosas. Jesus viria a ser tratado como escravo por parte de governantes irresponsáveis ("aos que dominam"), como se depreende das acções de Herodes e  Pôncio Pilatos. Quando o Reino de Deus finalmente tomar lugar, porém, "reis" e "príncipes" inclinar-se-ão na sua presença, reconhecendo a sua elevada posição celestial. Em breve, os reis levantar-se-ão dos seus tronos, prostrando-se diante do Messias, convencidos de que Javé É fiel no cumprimento das Suas promessas, e que escolheu o filho de Maria para constituir o Redentor há tanto tempo prometido.

Versículo 8
No tempo "favorável", decretado por Deus desde a criação do mundo, Jesus estabilizaria a terra, concedendo-a àqueles que procuram conhecer o Deus verdadeiro.

Versículo 9
Os "presos" não são aqui os cativos na Babilónia, mas sim os escravos do pecado espalhados pelo mundo. Jesus conceder-lhes-ia completa libertação, convocando-os para que deixassem o domínio das trevas, e aparecessem no caminho do bem. Por fim, os "presos" recém-libertados são representados como um rebanho de ovelhas, cujo Bom Pastor (Jesus) guiará para locais com pasto abundante.

Versículo 10
A graça de Deus é suficiente para os Seus fiéis, que ficam contentes com o sustento que Ele lhes providencia, não tendo "fome" ou "sede". Estas pessoas passarão pelo desamparado deserto da vida sem que o "sol" ou o calor as aflija, já que Deus se compadece dos seus sofrimentos e dos obstáculos com que se deparam. Como Bom Pastor, irá á frente do rebanho dos Seus fiéis, guiando-o em segurança.

Versículo 11
Nenhum obstáculo poderá impedir o retorno dos judeus à sua terra natal, pois até os "montes" constituirão um "caminho".

Versículo 12
As nações fluirão de todos os lados até ao Reino do Redentor (ver, por exemplo, Isaías 2:2). As referências feitas aos diferentes pontos cardeais e à "terra de Sinim" destinam-se a englobar os gentios.

Versículo 13
Os céus e aterra são chamados para participar na grande alegria que o povo de Israel sentirá quando finalmente gozar da consolação divina. Nos escritos de Isaías, os "montes", ou montanhas, são frequentemente introduzidas como uma das mais grandiosas obras de Deus, e por isso o profeta espera que estejam prontos a simpatizar com o homem. Trata-se de um sentimento naturalmente encontrado em alguém habituado à paisagem montanhosa da Palestina.

Versículo 14
Embora o futuro seja glorioso, tanto para o "servo" de Deus como para o povo israelita, o presente está cheio de tristeza e miséria. "Sião" - não a cidade, mas o povo de Deus - acredita ter sido esquecida por Javé. Veremos mais tarde que esta súbita confissão de fraca fé será perdoada pela compaixão de Deus, e Israel afligido gozará de imensa consolação.

Não é surpreendente que Israel tenha por vezes desesperado durante os longos anos do Cativeiro, já que estes foram bastante duros para a nação.

Versículo 15
A actualidade mostra-nos casos em que algumas mães tratam horrivelmente os seus filhos, embora tal acto pareça antinatural. Deus, porém, tem pelas pessoas um amor que ultrapassa qualquer afeição parental. Deus É amor na Sua essência (I João 4:8); e o Seu amor infinito é mais profundo e verdadeiro do que aquilo que o amor humano (finito) pode representar. Contudo, o sentimento que à face da terra mais se assemelha ao amor de Deus É a afeição de uma mulher para com os seus filhos (ver nova referência a este sentimento em Isaías 66:13).

Versículo 16
O profeta passa aqui da "Sião" viva, o povo de Israel, para o seu lar material, Jerusalém. A metáfora que usa está indubitavelmente relacionada com a prática de tatuar imagens nas mãos, braços ou demais partes do corpo, usando hena ou outros pigmentos. No Oriente, os peregrinos costumavam fazer tais marcas para comemorar as peregrinações bem sucedidas. Basicamente, Isaías diz-nos que Deus pensava constantemente em Sião como se a sua imagem estivesse gravada na palma das Suas mãos.

Versículo 17
Quando chegar o momento, os habitantes da cidade santa retornarão a este local, reconstruindo o templo e as muralhas. Simultaneamente, os destruidores de Jerusalém abandoná-la-ão para sempre.

Versículo 18
A Igreja restaurada, recebendo membros das várias nações, será como uma noiva que se enfeita, ficando gloriosa e digna de ser contemplada.

Versículo 19
O versículo não pode ser entendido literalmente; afinal, após o retorno do Cativeiro, a Palestina estava longe de ser sobrepovoada. Mesmo quando se deu a conversão de gentios, não se verificou qualquer movimento de pessoas para a Terra Santa. O objectivo da profecia é simplesmente evidenciar o vasto crescimento da Igreja, que se iria necessariamente espalhar para lá das fronteiras da Palestina, requerendo por fim o mundo inteiro como habitação.

Versículo 20
Os "filhos" da "orfandade" de Jerusalém são os gentios que substituíram muitos dos judeus sem fé que se recusaram a retornar à Palestina após o decreto de Ciro, perdendo-se para sempre da Igreja de Cristo.

Versículo 21
A igreja judaica pasma face ao influxo de gentios, perguntando-se de onde provinham todas aquelas pessoas. Sabe perfeitamente que não podem ser seus filhos verdadeiros, já que estivera cativa durante longos anos. É certo que a igreja judaica não aceitou abertamente os recém-convertidos mas, gradualmente, o Espírito Santo permitiu que tal dificuldade fosse ultrapassada.

Versículo 22
Os novos filhos - isto é, os recém-convertidos - provirão dos gentios. Esta passagem costuma ser interpretada como focando o retorno dos judeus à sua terra com o auxílio dos gentios - quer através do decreto de Ciro, quer num momento futuro.

Versículo 23
Reis e rainhas colocar-se-ão ao dispor da Igreja, zelando pelos seus seguidores. Assim, reconhecerão que a autoridade espiritual de Cristo é bem superior à sua. Todos os que acreditarem com paciência e constância em tais promessas jamais serão sujeitos a vergonha ou confusão - afinal, as promessas mencionadas serão irremediável e indubitavelmente cumpridas.

Versículo 24
Os incrédulos no meio dos exilados pensavam ser totalmente impossível retirar das mandíbulas da Babilónia a sua "presa", isto é, os cativos cujo trabalho lhe era tão útil. Afinal, a Babilónia era poderosa, e pelas leis da guerra tinha direito àqueles "presos"; como seria então aliciada a libertá-los?

Versículo 25
A resposta à questão colocada no versículo anterior é que, embora a Babilónia seja poderosa, Deus É-o ainda mais. Deus libertará o Seu povo da opressão babilónica sem esforço aparente.

Versículo 26
Este versículo foca as desavenças civis que viriam a assolar a Babilónia, tornando-a uma vítima fácil para as conquistas persas. Pesquisas recentes referem que, no reinado de Nabodinus, que decidiu introduzir alterações na religião nacional, várias tribos babilónicas lutaram ao lado dos invasores persas contra os seus conterrâneos.


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