terça-feira, 24 de julho de 2018

O Livro de Ester
O livro de Ester é um dos livros que compõe o Antigo Testamento, e narra a história de Ester, Mardoqueu, Hamã e Assuero. Na Bíblia hebraica, este livro está organizado dentro do grupo chamado “Megilote” cuja composição consiste em cinco livros, sendo eles: Rute, Cantares de Salomão, Eclesiastes, Lamentações e Ester. Neste estudo bíblico faremos um panorama do livro de Ester.
Estudos Bíblicos
Os estudos bíblicos auxiliam os cristãos na compreensão da Palavra de Deus. Em um estudo bíblico é possível selecionar um determinado texto da Bíblia ou um tema específico, e meditar nele de forma detalhada e sistemática.
Todo cristão verdadeiro deve ter o desejo de estudar as Escrituras cada vez mais. A Bíblia diz que todos aqueles que guardam os testemunhos do Senhor, são bem-aventurados (Salmos 119:2). Os crentes em Jesus Cristo devem repetir as mesmas palavras do Salmista: “Guardei a Tua Palavra em meu coração para não pecar contra Ti” (Salmos 119:11). Com o objetivo de servir de auxílio aos cristãos que procuram estudar a Bíblia, nós temos produzido e disponibilizado centenas de estudos bíblicos completos todos os dias. Os estudos bíblicos estão organizados em diversos temas e assuntos. Temos estudos bíblicos com panoramas dos livros da Bíblia, do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Temos estudos sobre a geografia e costumes dos tempos bíblicos e muito mais! Todos os estudos bíblicos disponibilizados aqui são fundamentados completamente nas Escrituras. A Bíblia é nossa única regra de fé e prática. Cremos que a Bíblia é a auto-revelação de Deus. Por isto ela é inspirada, infalível, inerrante e autoritativa. Nossa oração é para que você continue firme estudando a Bíblia! Desejamos que cada estudo bíblico postado aqui contribua com o seu aprendizado e crescimento espiritual.
(Levítico 23:5)
(Levítico 23:6)
(Levítico 23:10)
(Levítico 23:16)
(Levítico 23:24)
(Levítico 23:27)
(Levítico 23:34)
(Levítico 23:36)
(Ester 9:18)
(Levítico 23:3)
(Números 10:10)
Mas ao sétimo a dispensarás e deixarás descansar, para que possam comer os pobres do teu povo, e da sobra comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.
(Êxodo 23:10,11)
(Levítico 25:10)
(João 10:22)
(Deuteronômio 16:1)

Nomes de Meses
Número de Dias
Equivalência
Mês do Ano Civil
Mês do Ano Sagrado
Etanim
30
Setembro\Outubro
Bul
29 ou 30
Outubro\Novembro
Quisleu
29 ou 30
Novembro\Dezembro
Tabete
29
Dezembro\Janeiro
10º
Sebate
30
Janeiro\Fevereiro
11º
Adar
29 ou 30
Fevereiro\Março
12º
Abibe*
30
Março\Abril
Zive
29
Abril\Maio
Sivã
30
Maio\Junho
Tamuz
29
Junho\Julho
10º
Abe
30
Julho\Agosto
11º
Elul
29
Agosto\Setembro
12º



Quem escreveu o livro de Ester?
O autor do livro de Ester é desconhecido. Alguns já sugeriram que tenha sido Mardoqueu, porém detalhes textuais tornam essa possibilidade bastante improvável. O que se sabe ao certo, é que o autor do livro de Ester foi um judeu que possuía um grande conhecimento dos costumes persas, da geografia do império e da corte.
É bem provável que ele tenha vivido em Susã, e que também teve acesso aos escritos de Mardoqueu, as crônicas do governo persa e os decretos reais. Devido a algumas semelhanças no estilo hebraico, Esdras e Neemias também já foram apontados como possíveis autores.
Data e ocasião em que o livro de Ester foi escrito
A data mais provável em que o livro de Ester foi escrito fica entre segunda metade do século 5 a.C e o início do século 4 a.C. Alguns tentam propor uma data mais recente, por volta do século 1 a.C., entretanto as evidencias praticamente descredenciam essa sugestão.
Já falamos que o autor do livro de Ester conhecia muito bem as dependências do palácio de Susã, e este palácio foi queimado em no máximo 30 anos após a morte do rei Assuero (465 a.C.). Também o autor demonstra uma postura favorável com relação ao rei persa.
Por último, a ausência da influência da linguística grega no texto praticamente anula qualquer possibilidade do livro ter sido escrito após 331 a.C., quando Alexandre, o Grande tomou o Império Persa. Considerando tudo isto, uma data entre 465 a.C. e o final do reinado de Artaxerxes I em 424 a.C. parece ser a melhor possibilidade.
Propósito e características do livro de Ester
O propósito principal do livro de Ester é explicar a origem da Festa de Purim e estabelecê-la como um memorial oficial do grande livramento que Deus concedeu ao povo judeu durante o período em que tiveram sob o domínio persa. Saiba mais sobre as festas judaicas.
O livro de Ester é um livro que possui uma riqueza literária muito grande. Seu autor dominava muito bem as técnicas para construção de uma narrativa envolvente, repleta de detalhes, tensão, contrastes e reviravoltas surpreendentes.
As festas judaicas e os dias sagrados eram períodos de festividades e observância religiosa que representavam importante significado na religião hebraica, isso porque no Antigo Testamento, estes dias e períodos sagrados, foram decretados por Deus ao povo de Israel. A maioria desses períodos sagrados eram baseados em algum evento histórico significativo de Israel.
Essas festas, do hebraico hag (Lv 23:6; Dt 16:16), também eram chamadas de “festas do Senhor” ou “solenidades do Senhor“, em hebraico mo’ade Yahweh (Lv 23:2,4; Nm 15:3). Sabemos que algumas dessas festas judaicas coincidiam com as estações do ano, porém eram completamente diferentes das festas pagãs do Antigo Oriente celebradas nas estações. Enquanto os rituais pagãos eram fundamentados na ideia de que os deuses do panteão se banqueteavam com os homens, as festas bíblicas enfatizavam que as estações eram obra do Criador, como manifestação de sua benignidade para com o homem. Portanto, em tais festas judaicas do Antigo Testamento, o intuito era reconhecer os benefícios concedidos por Deus como o grande provedor de seu povo, além de relembrar o grande favor do Senhor nos atos que Ele mesmo realizou em prol da libertação de seu povo escolhido. Isso fica claro quando entendemos o significado que cada festividade possuía.
Quais são as festas judaicas da Bíblia?
É importante conhecermos as festas judaicas citadas na Bíblia para que possamos compreender da melhor maneira muitas passagens bíblicas que fazem referência a elas. Abaixo, apresentaremos as principais festas judaicas e dias sagrados citados na Bíblia.
Festas judaicas e dias sagrados:
Páscoa: celebrada em 14 de Nisã (entre Março e Abril), com o propósito de lembrar a libertação do povo de Israel do Egito. Na ocasião um cordeiro era morto e comido e servido com ervas amargas e pães sem fermento (Êx 12:1-14; Lv 23:5; Jo 2:13).
No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor.
Festa dos Pães Asmos: celebrada entre 15 e 21 de Nisã (entre Março e Abril), com o propósito de lembrar como os israelitas foram tirados por Deus às pressas do Egito. Eram preparados pães sem fermento e reuniões de adoração eram realizadas (Êx 12:15-20; 13:3-10; Lv 23:6-8; Mc 14:1,12).

E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos.
Primícias (ou Primeira Colheita): celebrada em 16 de Nisã (entre Março e Abril), com o propósito de reconhecer que os frutos da terra vinham de Deus e a colheita era fruto de sua benignidade. Na ocasião os primeiros frutos das colheitas eram ofertados (Lv 23:9-14).
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote.
Festa das Semanas (ou Petencostes): celebrada em 6 de Sivã (entre Maio e Junho), com o propósito de mostrar alegria e gratidão a Deus pela colheita obtida. Era realizada cinquenta dias depois da oferta das primícias, e celebrava a colheita do trigo (Êx 23:16; Lv 23:15-21; At 2:1).
Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao Senhor.
Trombetas (Rosh Hashaná ou Ano Novo): celebrado em 1 de Tisri (entre Setembro e Outubro), com o propósito de comemorar o início do ano civil. Esse era um dia de descanso e de fazer ofertas, onde as trombetas e os chifres eram tocados o dia inteiro (Lv 23:23-25; Nm 29:1-6).
Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação.
Dia da Expiação (Yom Kippur): celebrado em 10 Tisri (entre Setembro e Outubro), com o propósito de oferecer sacrifícios pelos pecados dos sacerdotes e do povo e purificar o santuário. Era um dia de descanso e jejum, onde sacrifícios eram oferecidos (Lv 16; 23:26-32; Hb 9:7).
Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor.
Festa dos Tabernáculos (ou Cabanas): celebrado entre 15 e 21 de Tisri (entre Setembro e Outubro), com o propósito de lembrar a peregrinação do povo de Israel pelo deserto. Consistia numa semana de festa por causa da colheita dos frutos, o povo habitava em cabanas e oferecia sacrifícios (Lv 23:33-36,39-43; Jo 7:2,37).
Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo será a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
Santa Convocação: celebrado em 22 de Tisri (entre Setembro e Outubro), com o propósito de comemorar o encerramento do ciclo de festividades. Era um dia de convocação, descanso e oferta de sacrifícios (Lv 23:36; Nm 29:35-38).
Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; dia de proibição é, nenhum trabalho servil fareis.
Festa de Purim: celebrada em 14 e 15 de Adar (entre Fevereiro e Março), com o propósito de comemorar a libertação dos judeus no Tempo de Ester. Era um momento de grande alegria e festividades, e o livro de Ester era lido (Et 9:18-32).
Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria.
Sábado: celebrado a cada sete dias com o propósito de dar descanso para as pessoas e os animais, afim de que o homem fosse renovado tanto física quanto espiritualmente. Era um dia de descanso a qual ninguém poderia trabalhar (Êx 20:8-11; Lv 23:3; Mt 12:1-14; Hb 4:1-11).
Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; sábado do Senhor é em todas as vossas habitações.
Lua Nova: celebrado no primeiro dia do mês lunar com o propósito de celebrar o início do mês lunar com festas religiosas. As atividades comerciais também eram suspensas (Nm 10:10; 28:11-15; 1Sm 20:5-20; 2Rs 4:23; Am 8:5).
Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o Senhor vosso Deus.
Ano de Descanso (ou Ano Sabático): celebrado a cada sete anos com o propósito de dar descanso para a terra. Durante o Ano Sabático as terras não eram cultivadas (Êx 23:10-11; Lv 25:1-22; Dt 15:1-18).
Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos;
Ano do Jubileu: celebrado a cada cinquenta anos com o propósito de ajudar os pobres e preservar a ordem social. Ocorria a libertação dos escravos e a devolução das terras aos donos originais (Lv 25:8-11; 27:17-24; Nm 36:4).
E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família.
Além dessas festividades judaicas citadas no Antigo Testamento, vale lembrar que também havia a festa extrabíblica de Hanukah, conhecida como “Festa das Luzes” ou “Festa da Dedicação” (gr. enkainia) conforme João 10:22. Essa é uma celebração em referência a recuperação e purificação do Templo de Jerusalém por Judas Macabeu, em 164 a.C., após a profanação efetuada por Antíoco IV Epifânio.
E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno.
Para melhor compreensão sobre o assunto, é importante também a leitura do nosso texto sobre o 
Principalmente no Pentateuco, temos claras referências ao calendário judaico. No livro do Êxodo, por exemplo, vemos que a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos foram instituídas no primeiro mês (Êx 12:1-20), também chamado de “Abibe” (Êx 13:4; 23:15). Outra referência a esse mesmo período está no livro de Deuteronômio:
Guarda o mês de Abibe, e celebra a páscoa ao SENHOR teu Deus; porque no mês de Abibe o SENHOR teu Deus te tirou do Egito, de noite.
Passagens bíblicas como estas acabam gerando algumas dúvidas e curiosidades em muitos cristãos sobre como funcionava o calendário judaico. Para esclarecer um pouco dessas dúvidas, vejamos nesse texto os pontos principais para entendermos o calendário judaico.
O Calendário Judaico:
Primeiramente é importante saber que os judeus usavam dois tipos de calendários:
1.       Calendário Civil: era o calendário oficial de reis, nascimentos e contratos;
2.       Calendário Sagrado: calendário utilizado para computar as festas.
Os meses do Calendário Judaico alternavam-se entre 29 e 30 dias. Isso resultava em um ano mais curto que o nosso, no caso com 354 dias. A cada três anos aproximadamente, um mês extra de 29 dias, o mês chamado Veadar, era acrescentado entre Adar e Nisã.
Vejamos a distribuição dos meses no quadro abaixo:

*O nome babilônico do primeiro mês do ano era Nisã, e os nomes babilônicos dos meses aparecem nos livros do Antigo Testamento nos períodos exílico e pós-exílico (ex.: Et 3:7). O mesmo ocorre principalmente com os meses Zive (pós-exílio Iyar), Etanim (pós-exílio Tishrei) e Bul (pós-exílio Heshvan), onde são citados seus correspondentes correspondentes babilônicos.

Um exemplo do nível de organização apresentado no texto é o contraste que autor estabelece de forma perfeita entre os planos de Hamã e o que de fato lhe aconteceu (Et 6-7). O nível de sutileza nos detalhes empregados pelo autor pode ser notado no episódio em que Hamã suplica pela misericórdia de Ester e acaba sendo acusado de tentativa de estupro (Et 7:7-9).
Todavia, toda essa forma impecável de escrita é utilizada pelo autor para apontar para a provisão de Deus na história da salvação do seu povo. O autor do livro de Ester conduziu muito bem uma narrativa de suspense que certamente prende a atenção do leitor.
Também é possível identificarmos algumas semelhanças entre a história contatada no livro de Ester e a história de José registrada no livro de Gênesis (cf. Et 2:2-4; 3:10; 8:6; Gn 41:34-42; 44:34).
Contexto histórico descrito no livro de Ester
O livro de Ester se concentra no período de reinado do rei Assuero, o Xerxes I (486-465 a.C.). O livro relata alguns momentos da vida do povo judeu exilado sob o domínio do Império Persa. Os personagens principais do livro são: Ester,
A história de Ester é uma das mais conhecidas da Bíblia e está registrada no livro do Antigo Testamento que traz seu nome. Ester foi uma judia exilada na Pérsia e viveu durante o período de reinado de Assuero (Xerxes) entre 486 e 465 a.C. Neste estudo bíblico, conheceremos mais sobre quem foi Ester na Bíblia.
Quem foi Ester na Bíblia?
Ester era uma jovem órfã, filha de Abiail, e, como já dissemos, uma judia exilada na Pérsia. Ester foi criada por seu primo Mardoqueu. O nome Ester muito provavelmente vem do persa stara e significa “estrela”, mas alguns intérpretes sugerem que talvez seu nome tenha ligação com o nome de uma deusa babilônica, a Ishtar. Já seu nome hebraico era Hadassa, que significa “murta”, um tipo de arbusto.
No texto bíblico, Ester é descrita como uma mulher que possuía notável beleza, tanto que foi contada entre as mais formosas do reino. O texto bíblico também enfatiza a bravura e a lealdade de Ester para com o povo judeu.
A história de Ester: Ester se torna rainha
Certo dia, o rei da Pérsia realizou uma festividade para o povo na fortaleza de Susã. Enquanto ele dava um banquete para homens, sua esposa, a rainha Vasti, oferecia um banquete às mulheres na casa real.
Em um determinado momento, o rei Assuero mandou chamar Vasti, ordenando que ela entrasse em sua presença usando a coroa real. A rainha se recusou a cumprir tal ordem, porque, muito provavelmente, implicava em alguma situação desonrosa à ela.
Com a recusa da rainha, Assuero a destitui do posto. Mais tarde, ele foi aconselhado a convocar as moças virgens e de boa aparência que havia em seu reino, e Ester estava entre essas jovens. Ester então alcançou favor na corte de Assuero, isto é, ela conseguiu o agrado necessário para poder sobreviver na corte. Obviamente isso foi resultado da providência divina (cf. Et 2:17; 5:2).
Ester foi submetida a um tipo de tratamento de beleza durante doze meses. Passado esse período, Ester foi conduzida por um dos eunucos a presença do rei. As jovens eram levadas ao rei e depois não retornavam mais a ele, exceto se o rei gostasse de alguma e a chamasse pelo nome.
Isto foi o que aconteceu com Ester. “O rei amou a Ester mais do que todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens” (Et 2:17). Assim, Ester foi coroada rainha no lugar de Vasti. Foi feito um banquete pela coroação de Ester. Após se tornar rainha, Ester passou a viver no palácio em Susã.
A rainha Ester é informada sobre o plano de Hamã
Hamã, um importante príncipe do império da pérsia, resolveu destruir todos os judeus que havia no reino de Assuero, por conta de que Mardoqueu não se inclinava perante ele. A descrição de Hamã como “o agatita” sugere uma possível origem amalequita, povo que era inimigo mortal de Israel.
Mardoqueu contou a Ester o terrível plano de genocídio que Hamã iria executar, e lhe pediu para interceder perante o rei. A rainha Ester não podia entrar na presença do rei sem que fosse chamada, pois isso significaria colocar sua própria vida em risco.
Então Mardoqueu fez com que ela se atentasse ao fato de que Deus, providencialmente, poderia ter determinado os acontecimentos em sua vida para que ela pudesse estar exatamente em uma posição em que pudesse agir em favor dos judeus (Et 4:14).
Vale dizer que até aquele momento o rei não sabia que Ester era de origem judaica, assim, ele não sabia que havia permitido o extermínio do povo de sua rainha. Diante da situação delicada, a rainha Ester conclamou todos os judeus a jejuarem durante três dias, pois ela agiria contra a lei e entraria na presença do rei.
A rainha Ester usa de sabedoria e intercede pelos judeus
Após os três dias, Ester se aprontou com seus trajes reais e entrou no pátio interior da casa do rei. Assuero, assentado em seu trono, viu Ester parada no pátio e estendeu o cetro de ouro que tinha na mão em favor de Ester, permitindo que ela se aproximasse.
O rei perguntou o que ela queria, e disse-lhe que daria a ela até mesmo metade de seu reino. Ester, agindo com muita sabedoria, apenas o convidou juntamente com Hamã para participar de um banquete que ela havia preparado. Na ocasião do banquete, Ester solicitou permissão para preparar um segundo banquete no dia seguinte.
No segundo banquete, Ester revelou para o rei que ela era uma judia, e que todo o seu povo estava sentenciado à morte. Ester também contou que Hamã era quem tinha tramado todo aquela maldade.
O rei ficou muito furioso e deixou o banquete indo para o jardim do palácio. Hamã, sabendo que a situação havia ficado extremamente complicada para ele, resolveu permanecer ali para suplicar pela própria vida à Ester.
Quando o rei retornou à casa do banquete, encontrou Hamã caído sobre o divã de Ester.  Aquela foi uma violação de protocolo irreversível, pois o rei entendeu que Hamã havia tentado violentar a rainha: “Porventura quereria ele também forçar a rainha perante mim nesta casa?” (Et 7:8).
Quando o rei exclamou essas palavras, logo os servos da corte entenderam que aquele era o fim da linha para Hamã, e cobriram o seu rosto. Às vezes era costume entre os gregos e romanos cobrir o rosto de um sentenciado à morte, porém entre os persas essa é a única referência desse costume.
Hamã foi então enforcado na própria forca que ele havia preparado para Mardoqueu. Como o rei não podia revogar o decreto anterior, a rainha Ester conseguiu fazer com que um novo decreto autorizando os judeus a se defenderem fosse publicado. Assim, os judeus passaram a ter o direito a legitima defesa.
Como resultado disso, os judeus mataram seus inimigos e exterminaram a casa de Hamã. Talvez o pedido de Ester para que um segundo dia de matança ocorresse, demonstre que havia ali em Susã grande ódio contra os judeus (Et 9:13,14).
Ao todo foram mortos mais de 75 mil inimigos que odiavam o povo judeu, porém eles não tocaram nos despojos de seus inimigos. Talvez aqui possa ser visto um contraste com o episódio em que os despojos dos amalequitas foram tomados, fato que levou ao fim de Saul (1Sm 15:17-19).
Devido a todo aquele acontecimento, foi estabelecida a Festa de Purim como uma celebração permanente em Israel. Saiba mais sobre as festas judaicas.
A história de Ester certamente nos leva a refletir sobre a soberania de Deus em cumprir os seus propósitos, bem como a importância de confiarmos em Deus, ainda que isto coloque em risco a nossa própria vida. Também devemos nos atentar para o fato de que devemos agir com sabedoria, sempre intercedendo a Deus para que Ele direcione as nossas ações. Saiba mais sobre o livro de Ester.
Vasti, Assuero, O rei Assuero foi o governante da Pérsia entre 486 e 465 a.C. Ele é mais conhecido como Xerxes, seu nome grego, pelo qual aparece em relatos extrabíblicos, sendo que é apenas no livro de Ester que ele é mencionado como Assuero.
Alguns estudiosos consideram que “Assuero” poderia ter sido um tipo de título real que os monarcas persas recebiam, mas não há consenso sobre isso. O rei Assuero foi filho de Dario I, neto de Ciro e o pai de Artaxerxes I, o mesmo Artaxerxes que aparece no contexto de Esdras e Neemias (Ed 7:1; Ne 2:1).
O reinado do rei Assuero (Xerxes)
Segundo os relatos bíblicos, o rei Assuero governou um império grande e imponente que compreendia um território desde a Índia até a Etiópia, com 127 províncias. Ele ascendeu ao trono por designação do pai, já que não era o filho primogênito. Quando comparado os relatos bíblicos com possíveis fontes históricas extrabíblicas, o rei Assuero era uma pessoa vaidosa, excêntrica e volúvel.
Em 482 a.C. ele precisou enfrentar uma rebelião na Babilônia, na qual a cidade foi parcialmente comprometida. A partir de 480 a.C., Xerxes empreendeu várias campanhas militares contra a Grécia. Um dos embates mais conhecidos de Xerxes foi contra Leónidas de Esparta.
O rei Assuero também enfrentou uma derrota difícil quando suas tropas perderam a batalha em Salamina e em Samos. Alguns estudiosos consideram que o evento citado no capítulo 1 do livro de Ester teve a finalidade de planejar as campanhas do Império da Pérsia contra os gregos.
Na sequência de seu reinado houve uma dedicação em relação à construção do novo palácio de Persépolis, além de também ocorrerem várias intrigas em sua corte. O rei Assuero foi assassinado em seus próprios aposentos, muito provavelmente em agosto de 465 a.C.
O rei Assuero (Xerxes) na Bíblia
O rei Assuero aparece em citações diretas e indiretas em livros do Antigo Testamento. Em Esdras 4:6-23, Xerxes é mencionado quando o autor do livro descreve um contexto de oposição à reconstrução dos muros da cidade de Jerusalém.
Alguns estudiosos sugerem que o rei mencionado nessa passagem bíblica fosse Cambises, sucessor de Ciro, porém essa hipótese é bastante improvável.
Já a referência no livro de Ester é a mais conhecida e detalhada sobre o rei Assuero em toda a Bíblia. Na Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento), Assuero é chamado de Artaxerxes, porém o personagem em questão é o próprio Xerxes.
No livro de Daniel o rei Assuero também é mencionado, apesar de não aparecer seu nome. Ele é o quarto rei da revelação dada ao profeta Daniel registrada no capítulo 11 de seu livro (Dn 11:2).
Em Daniel 9:1, no capítulo famoso por conter a profecia das setenta semanas, o nome Assuero também é citado, porém não se trata do mesmo Assuero de Ester. Nesse caso, o profeta se refere ao pai de Dario. Essa é uma das referências que apontam para a possibilidade de Assuero ter sido um título e não um nome pessoal.
O rei Assuero e Ester
Assuero, o rei da Pérsia, certo dia realizou um banquete a todo povo na fortaleza de Susã, um palácio fortificado que se elevava em cerca de quarenta metros acima da cidade de Susã. Essa era uma das três capitais persas e servia de residência real de inverno.
Na ocasião estavam presentes os poderosos da Pérsia e Média e seus servos. Após sete dias de festividades, Assuero mandou chamar a rainha Vasti, que também dava um banquete às mulheres na casa real.
A convocação do rei Assuero era para que Vasti entrasse em sua presença usando a coroa real, para que pudesse mostrar aos povos e aos príncipes a sua beleza, porque era muito formosa (Et 1:11).
Muito tem sido especulado sobre os motivos que fizeram com que a rainha Vasti se recusasse a atender ao pedido do rei, porém o texto hebraico não fornece nenhuma explicação. Alguns estudiosos sugerem que ela poderia ter alguma deformação, mas isso parece improvável visto que o texto aponta a sua beleza.
Antigos intérpretes judeus acreditam que é possível que a ordem de Assuero fosse para que ela comparecesse totalmente despida, usando apenas a sua coroa. Apesar de o texto dizer que o rei Assuero já estava alterado por conta do vinho (Et 1:10) e tal atitude parecer possível diante das circunstâncias e de seu característico comportamento, não há nenhum indício no texto bíblico sobre essa possibilidade.
De qualquer forma, somente o fato de ter que comparecer em uma festa de homens já seria motivo suficiente para a rainha Vasti ter entendido o pedido como um tipo de humilhação. Tudo o que sabemos é que a rainha Vasti não compareceu e o rei Assuero a destituiu em aproximadamente 483 a.C. Também é possível que mais tarde Assuero tenha se arrependido do que fez (Et 2:1).
Foi muito provavelmente em 478 a.C. que o rei Assuero colocou Ester no lugar de Vasti como sua rainha. Esse relato do texto bíblico parece se encaixar com a descrição do historiador grego Heródoto de que Xerxes manifestou grande interesse em seu harém logo após a desastrosa campanha contra os gregos.
O mesmo Heródoto identifica a esposa de Xerxes como sendo Amestris. Alguns tentam identificar essa Amestris como sendo a Vasti citada no livro de Ester, ou a própria Ester, porém é muito improvável que Amestris tenha sido qualquer uma delas. Talvez Amestris tenha sucedido Ester mais tarde.
A importante posição de Ester foi muito significativa para que o plano de Hamã em aniquilar os judeus não tivesse sucesso. Na ocasião, Mardoqueu  Mardoqueu ou Mordecai foi um dos exilados judeus que viveram em Susã, uma das capitais do Império da Pérsia. Mardoqueu é conhecido por ter sido o primo que criou a jovem órfã Ester, que depois veio a se tornar a rainha da Pérsia. Neste estudo bíblico, conheceremos o que a Bíblia relata sobre quem foi Mardoqueu.
Antes de falarmos sobre a história do Mardoqueu primo da rainha Ester, precisamos saber que existem dois personagens bíblicos com esse nome. O outro Mardoqueu foi um líder entre os hebreus exilados que retornou com Zorobabel para Jerusalém (Ed 2:2; 5:8; Nm 7:7).
A História de Mardoqueu
Mardoqueu era um benjamita descendente de Quis, que foi levado cativo para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor. Seu nome é derivado de Merodaque ou Marduque, o deus protetor da Babilônia.
O fato de Mardoqueu viver em Susã, e a forma com que ele aparece próximo ao palácio nas narrativas bíblicas, sugerem que ele era um oficial do governo persa. É importante saber que o versículo 6 do capítulo 2 do livro de Ester, onde é feita referência aos judeus transportados de Jerusalém para a Babilônia em 597 a.C. não trata especificamente de Mardoqueu, mas de seus antepassados (2Rs 24:6-17; 25:27-30).
É importante entender isto para que não haja nenhum problema em relação às datas, ou seja, se fosse o próprio Mardoqueu que tivesse sido transportado de Jerusalém para a Babilônia, ele não estaria mais vivo no período narrado no livro de Ester, ou teria pelo menos 150 anos.
Mardoqueu e Ester
Mardoqueu criou e educou sua prima órfã Hadassa, que é Ester (Et 2:7-20). Como dissemos, Mardoqueu desempenhava alguma função relacionada ao palácio de Assuero. Alguns estudiosos sugerem que talvez ele tenha sido um eunuco, já que, com exceção de Ester, não há qualquer referência sobre sua família, isto é, esposa e filhos, e também parece que Mardoqueu tinha acesso aos aposentos das mulheres (Et 2:11).
Seja como for, vale lembrar que o termo “eunuco” também pode ser aplicado para designar um oficial da corte que não necessariamente fosse responsável pelo trato com as mulheres do palácio. Saiba mais sobre o que significa eunuco.
Os relatos do livro de Ester deixam claro que Mardoqueu ensinou Ester nos princípios dos mandamentos de Deus, e mesmo depois de Ester ter se tornado rainha, Mardoqueu ainda exercia alguma influência sobre ela.
Mardoqueu e Assuero
Enquanto Mardoqueu estava à porta do rei, ele descobriu uma conspiração para assassinar o rei Assuero. Rapidamente ele contou à Ester sobre o plano que havia descoberto, e ela informou o rei sobre o que estava acontecendo.
Como resultado disto, os dois homens que seriam responsáveis por matar o rei foram enforcados. Embora nossa tradução traga a expressão “pendurados numa forca“, no original literalmente o que aparece é “pendurado num madeiro“. Tal expressão pode referir-se a execução por empalamento em estacas de madeira. Era comum que após uma execução desse tipo, o corpo ficasse pendurado para exibição pública.
Todo o incidente, incluindo a atitude heroica de Mardoqueu, foi escrito nos arquivos reais. É interessante notar que o texto não destaca nenhuma recompensa imediata à Mardoqueu, ao contrário, o foco passa a ser exatamente a promoção de Hamã, seu grande rival.
Mardoqueu e Hamã
Hamã também era um dos oficiais da corte, e, em certo momento, acabou sendo promovido pelo rei. Após a promoção de Hamã, Mardoqueu não aceitou prestar reverência a ele, o que despertou a ira de Hamã, já que sua vaidade não poderia tolerar tal afronta.
A Bíblia não esclarece o motivo que levou Mardoqueu a não reverenciar Hamã. Alguns sugerem que talvez tenha sido porque tal ato não poderia ser distinguido da adoração. Entretanto, vale lembrar que os judeus não consideravam a prática de se inclinar diante de reis e outras pessoas de alta hierarquia uma violação aos mandamentos de Deus (1Sm 24:8; 2Sm 18:28; cf. Gn 23:7; 33:3; 2Rs 2:15).
Uma possível explicação para o comportamento de Mardoqueu é que talvez Hamã tivesse alguma associação com os amalequitas, já que aparece em sua designação a expressão “o agatita”, o que pode significar algum vínculo com a descendência de Agague, rei dos amalequitas contra quem Saul se opôs (1Sm 14:47,48; 15). Os amalequitas eram inimigos mortais dos israelitas (Êx 17:8-16; Dt 25:17-19).
Em Ester 2:6 onde lemos sobre a origem de Mardoqueu, pode haver algum indício de que sua família tenha pertencido à nobreza judaica (2Rs 24:10-16). Caso realmente haja alguma ligação entre a origem de Mardoqueu e o rei Saul, que como ele também era um benjamita, e Hamã com Agague, o rei dos amalequitas, então a tensão entre ambos pode ser compreendida, ou seja, era uma representação da inimizade benjamita-agatita, israelita-amalequita.
Se este realmente for o cenário, então Mardoqueu de forma alguma reverenciaria Hamã, pois isso poderia implicar num tipo de aprovação dos crimes dos antepassados de Hamã. Da mesma forma, essa possibilidade também explica o ódio de Hamã não apenas contra Mardoqueu, mas contra todos os judeus, a ponto de tramar um genocídio.
O plano de Hamã contra Mardoqueu e o povo judeu
Hamã decidiu não se livrar apenas de Mardoqueu, mas de todo o povo judeu. Ele conseguiu persuadir o rei Assuero para que editasse um decreto autorizando o massacre de todos os judeus que viviam no império persa.
Quando Mardoqueu soube do ocorrido, ele rasgou suas vestes e se vestiu de pano de saco e de cinzas, demonstrando publicamente seu lamento e a intensidade da dor que tal decreto havia ocasionado, e tal atitude se repetiu entre os judeus em todas as províncias onde a notícia sobre o decreto era anunciada.
Então, Mardoqueu fez com a rainha Ester ficasse sabendo do que estava ocorrendo, e insistiu para que ela intercedesse pelo povo judeu perante o rei. Quando Ester ousou titubear perante os riscos que ela correria, Mardoqueu chamou sua atenção para o possível propósito pela qual ela teria se tornado rainha, ou seja, poder livrar o povo judeu (Et 4:14). Saiba mais sobre a história de Ester.
Mardoqueu é exaltado e Hamã é morto
Os capítulos 6 e 7 do livro de Ester nos revela uma surpreendente reviravolta na história e nos planos de Hamã. Numa noite, nitidamente por providencia divina, Assuero não conseguiu dormir e pediu que lhes trouxessem o “Livro dos Feitos Memoráveis“, o mesmo livro onde foi registrado o ato heroico de Mardoqueu.
Ao ler sobre o feito de Mardoqueu, o rei perguntou aos seus servos que tipo de recompensa Mardoqueu havia recebido na ocasião. Então seus servos lhes disseram que nada havia sido feito em favor de Mardoqueu.
Justamente naquele momento Hamã estava no pátio do palácio, com a intenção de pedir ao rei para que Mardoqueu fosse enforcado. O rei então mandou chamar Hamã e lhe perguntou o que deveria ser feito ao homem que ele desejaria honrar. Sem saber a identidade do homem, Hamã presumiu que se trava dele próprio, e aconselhou ao rei para que vestisse o homem com suas vestes reais, lhe colocasse montado sobre o seu cavalo, colocasse sobre ele a coroa real e convocasse os mais nobres príncipes do reino para que, diante de toda a cidade, fosse proclamado que aquele homem estava sendo honrado pelo próprio rei (Et 6:7-9).
Na verdade Hamã contou ao rei sua própria lista de desejos, sem nem ao menos suspeitar que quem receberia toda a honraria seria Mardoqueu. O rei aprovou a sugestão de Hamã, e lhe informou que tal homem era Mardoqueu e que ele seria o responsável a proclamar pela cidade que Mardoqueu era um homem honrado pelo rei.
Depois disto, Mardoqueu voltou para a porta do rei, enquanto Hamã correu para sua casa e contou a sua mulher e amigos o que havia acontecido. É interessante que os sábios e a mulher de Hamã lhe disseram que basicamente os judeus eram invencíveis, e que ele não prevaleceria contra Mardoqueu (Et 6:13).
Caso realmente proceda a possibilidade da inimizade de Mardoqueu e Hamã representar o conflito ancestral entre amalequitas e israelitas, talvez a resposta dada a Hamã estivesse fundamentada nas profecias sobre a queda de Amaleque diante de Israel (cf. Êx 17:16; Nm 24:20; Dt 25:17-19; 1Sm 15; 2Sm 1:8-16).
Paralelamente a todos estes acontecimentos, Ester, com muita sabedoria, havia planejado expor toda a perversidade de Hamã perante Assuero. Durante um jantar, Ester denunciou Hamã ao rei, e este foi condenado à morte, sob pena de ser enforcado na própria forca que ele mesmo havia preparado para Mardoqueu.
Na ocasião, Mardoqueu também recebeu o anel que o rei havia dado a Hamã, ou seja, Mardoqueu foi promovido a ocupar a posição anteriormente ocupada por Hamã. Além disso, o rei autorizou um decreto atestando que os judeus poderiam resistir aos seus inimigos, o que levou a completa destruição de todos aqueles que odiavam o povo hebreu.
Esse foi contexto em que se originou a Festa de Purim. Saiba mais sobre as festa judaicas. Por fim, Mardoqueu foi levantado como a segunda autoridade depois do rei (Et 10:1-3).
A historicidade de Mardoqueu
Certo documento não datado foi encontrado próximo à região onde ficava a Babilônia, e nele é mencionado um homem chamado Mardukâ que era oficial em Susã na corte de Xerxes. Outros documentos também fazem referências a Matakas, um individuo que era o mais influente dos eunucos.
Alguns estudiosos sugerem que Mardoqueu pode ser a pessoa em ambas as referências, porém isso é incerto, já que os melhores registros domésticos sobre o reinado de Xerxes foram perdidos. Seja como for, a Bíblia não precisa de fontes históricas para lhe acrescentar autoridade.
reconheceu que o fato de Ester ter sido aceita como rainha poderia ser uma providencia divina para que ela pudesse agir em favor dos judeus (Et 4:14). Saiba mais sobre a história de Ester.
 Mardoqueu e Hamã.
O Império Persa dominava 127 províncias, desde a Índia até a Etiópia (Et 1:1,3; 10:1). Estima-se que naquela época o império possuía aproximadamente 100 milhões de habitantes, destes, pelo menos 3 milhões eram judeus.
A história narrada no livro se passa em Susã, uma das três capitais persas e que também servia como a residência real de inverno. Várias evidências arqueológicas e documentos históricos estão de acordo com os detalhes descritos no livro.
Existem indícios de que havia uma lei que limitava o governante persa a ter uma única esposa, porém o livro de Ester afirma que havia um harém no palácio de Assuero. Depois, achados arqueológicos confirmaram que de fato Dario e Xerxes tinham haréns.
Arqueólogos franceses descobriram nas ruínas de Susã os mesmos detalhes que são descritos pelo autor acerca do palácio (Et 1:2-6; 2:11,14; 3:15; 5:1; 6:4; 7:7,8). Alguns questionam o motivo de Heródoto, historiador grego, não mencionar Vasti e Ester como esposas de Xerxes, enquanto destaca Amestris como sua mulher. Todavia, é conhecido que Heródoto por vezes omitiu em seus escritos personagens importantes.
Por outro lado, Heródoto registra que Xerxes convocou uma importante reunião em seu terceiro ano de reinado para discutir uma campanha contra os gregos. Isto de acordo com o que é relatado no livro de Ester, onde uma assembleia de príncipes é descrita naquele mesmo ano (Et 1:3).
A Falta de menção ao nome de Deus no livro de Ester
É verdade que o nome de Deus não aparece diretamente mencionado no livro de Ester. Muitas especulações já foram feitas na tentativa de explicar o porquê do autor não ter citado explicitamente o nome de Deus, porém nenhuma delas é digna de nota. Apesar disto, o que se sabe é que o autor conseguiu transmitir perfeitamente a ênfase espiritual que pretendia.
No livro de Ester ele faz referência ao jejum e ao clamor dos judeus por ajuda. Obviamente eles estavam jejuando e pedindo ajuda a Deus. Mardoqueu também demonstra sua fé em Deus explicando que, se Ester falhasse, ele sabia que o socorro para os judeus aconteceria de alguma forma. Mardoqueu também expressa sua compreensão acerca da soberania de Deus quando enxerga a providencia divina na posição de honra que foi dada a Ester (Et 4:13,14).
Aqui também vale mencionar o versículo que destaca a fala dos sábios e da esposa de Hamã, quando lhe disseram: “Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes certamente cairás diante dele” (Ester 6:13).
Nesta frase, está mais do que clara a referência ao poder e a glória do Deus de Israel diante do fracasso iminente do arrogante e vaidoso Hamã. Na verdade, a forma com que o autor do livro conduziu a narrativa, coloca Deus em evidência do começo ao fim do livro de Ester.
Princípios fundamentais que encontramos no livro de Ester
O livro de Ester nos ensina alguns princípios fundamentais para nossa vida cristã. Nele aprendemos que em determinados momentos o povo de Deus sofre intensas perseguições de seus inimigos, porém Deus preserva o seu povo durante os períodos difíceis.
No livro de Ester também aprendemos que, como povo escolhido do Senhor, devemos exaltá-lo por todas as suas maravilhas, enquanto permanecemos fieis a Ele confiando em sua provisão a nosso favor, confiando que Deus derrotará definitivamente todos aqueles que se levantam contra sua obra.
Esboço do livro de Ester
·         Introdução, contexto e a escolha de uma nova rainha (caps. 1-2).
·         O conflito entre Hamã e Mardoqueu, a ameaça ao povo judeu e a ruína de Hamã (caps. 3-7).
·         A defesa e o livramento do povo judeu (caps. 8-9)
·         Epílogo (cap. 10).



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