quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Presidente da IAP critica a politicagem explícita de líderes evangélicos na politica nos últimos tempos.
Em 2010 o Brasil viveu mais uma eleição em que pôde escolher seus próximos governantes e um fato que ficou claro nas campanhas eleitorais foi a exploração do cristianismo e o envolvimento de conhecidos líderes evangélicos.
GUIA-ME: No período eleitoral que vivemos este ano, muitos líderes evangélicos se envolveram em campanhas políticas, chegando até a aparecer no horário eleitoral dos candidatos, recebendo assim, críticas de muitos eleitores. Na sua opinião, essas críticas têm fundamento? Acredita que houve mesmo um envolvimento maior do que deveria?
Presidente da IAP: Eu me junto com essas pessoas que você diz que criticaram. Eu não quero fazer uma crítica ácida, porque eu não me vejo no direito de fazer isso, mas se essas críticas foram feitas com base no evangelho, eu me junto. A crítica pela crítica não é producente e talvez nem seja cristã, mas a minha crítica é no evangelho. Eu não vejo base no evangelho para um pastor que se diz cristão, seja ele famoso ou não, ir a público ou a púlpito, sobretudo em um programa político nacional de televisão, usar o nome de pastor que tem, o chamado sagrado, sendo que foi esse chamado que lhe deu visibilidade e credibilidade, que lhe deu carinho e respeito de grande parte do povo de Deus; e em nome de uma preocupação com o Brasil indicar um voto. A constituição brasileira diz que o voto é secreto. Que um mundano declare seu voto, eu compreendo, do mundo eu espero tudo, mas de um pastor que se diz grande pregador e portador do evangelho, ir ao programa de um dos candidatos e usar o nome da Igreja, o nome de evangélico e o povo evangélico como se tivesse a palavra para defender em nome dos evangélicos e dizer que esse candidato é melhor que o outro é profundamente lamentável, na minha opinião é totalmente fora dos padrões do evangelho, não vemos esse exemplo em Cristo, nos profetas e nem nos apóstolos. É uma fase muito triste da igreja evangélica brasileira e acho que terá repercussões muito negativas ao longo dos anos futuros.
GUIA-ME: No site da IAP há um recado, dizendo que se algum pastor da igreja se candidatar a algum cargo político ele não deve usar a nomenclatura "pastor" e que a igreja não o irá apoiar com a campanha. Por quê?
Presidente da IAP: A palavra de Deus diz que quem foi chamado para o ministério é santo e, santo significa separado. Ele já foi separado do mundo. Ele está no mundo, mas não é do mundo. Ele não milita mais com as coisas desse mundo. Não é que o cristão tem que ser alienado da sua Pátria e das questões políticas, mas um pastor não pode usar publicamente a sua função pastoral para se envolver com a política que é do mundo. Isso não quer dizer que não tenhamos que cumprir nosso papel cívico. Cada cidadão do céu é, também, cidadão da terra, ele tem que ter compromisso, opinião crítica e tem que saber quem são os candidatos, mas esse é um dever estritamente pessoal. Se ele tem a mente de Cristo ele sabe discernir, ele obedece a constituição, dá o voto secreto e cada um cumpre seu dever cívico, a igreja não se mete com as coisas desse mundo, ou então ela perde a sua força e vai se contaminando e, lamentavelmente, é o que vejo em grande parte da igreja evangélica, sobretudo com os pastores mais famosos. Eu fico preocupado &por que eles estão fazendo isso?&. Tenho artigos da Folha de S. Paulo que mostram que pastores estavam no QG do Serra e tinha muito dinheiro rolando, e tenho artigos que mostram que quando a eleição foi para o segundo turno, grande líderes da igreja evangélica estavam em Brasília e o presidente Lula não apareceu nesse dia, mas ele entrou por trás, negociou com eles e saiu por trás, e a partir dali mudou muito a opinião sobre a outra candidata. Quer dizer, a Igreja está totalmente &lambrecada& em nome de compromisso com a terra, de moralidade e isso é muito grave, porque a Igreja e o pastor têm a missão de pregar o evangelho e não de ficar pregando que algum candidato vai nos salvar. A tua vida vai melhorar porque você tem Deus, porque você trabalha, é obediente, é fiel em tudo que pode e tem a bênção de Deus, é isso que melhora sua vida. E quando um político fizer alguma coisa, seja no nível regional, municipal, estadual ou federal, a Bíblia ensina que ele está sendo usado por Deus; não é o político que melhora sua vida. Se ele faz alguma coisa pela sociedade e pelo lugar em que moramos é porque Deus, em sua soberania, o colocou lá e ele não está fazendo mais que a obrigação dele, mas não significa que eu tenha que apoiá-lo. Eu fui chamado para pregar o evangelho, só.
GUIA-ME: O papel da Igreja é também de orar pelo país. Levando isso em consideração, acredita que tem como a Igreja incentivar essa intercessão pelos governantes sem entrar em debates ou preferências políticas?
Presidente da IAP: Eu diria para você que é dever dela e isso é bíblico. A Bíblia manda orar por todas as pessoas e não só por um pastor, por um presidente de igreja ou por um missionário, ela manda orar por todas as autoridades. É Deus quem coloca um presidente, um governador, um senador. Ele usa a estrutura, usa o ser humano no processo eleitoral para colocar quem Ele quer, Ele que levanta e Ele que abate. É nosso dever orar, mas devemos orar sem cor. O cristão não tem partidarismo. Pessoal ele pode ter, mas não pode ter partidarismo coletivo, sobretudo quando está usando o ministério. Agora ganhou a presidente Dilma, quem votou no Serra e é crente de verdade tem por obrigação orar por ela, e se o Serra tivesse ganho, quem votou na Dilma teria também obrigação de orar por ele, entendeu? Sem cor, sem paixão, porque ele teria sido colocado por Deus, mas não foi ele; na soberania de Deus Ele colocou a Dilma lá e ela terá que dar conta diante de Deus de tudo o que ela vai fazer, mas é nossa obrigação orar por ela, pelos governadores, senadores, levantando mãos santas, como diz a Palavra de Deus.
GUIA-ME: Os três candidatos mais bem votados (Marina Silva, José Serra e Dilma Rousseff) falaram muito sobre cristianismo em suas campanhas. Acredita que isso pode ter acontecido pelo fato deles se darem conta do crescimento da força dos cristãos / evangélicos?
Presidente da IAP: Eu não tenho dúvida disso, por uma interpretação que fiz, por tudo que eu li e assisti. Eu não sou um homem apolítico, pelo contrário, leio todo dia sobre política, quando eu abro um jornal, ou revista, ou internet, o assunto número um do mundo que chega à minha mente e coração é política. Eu sou um pastor e sei o que significa uma lei que eles aprovam no Congresso, sei a influência que vai ter na minha casa, na minha sociedade, no meu bairro e no meu país, só que eu tenho que separar isso do pastorado. Tenho condições de militar sem confundir meu pastorado, sem usar o púlpito politicamente, sem estar falando de candidato. Eu não subo ao púlpito para falar de candidato, a não ser em casos extremos em que a gente perceba claramente que algum governador está explicitamente fazendo coisas que agradam a Deus, é minha obrigação alertar e esclarecer usando o evangelho, não usando cor ou interesses políticos. Porque muitos se levantaram apenas em momento de eleição? Eu fico preocupado, será que tem alguma coisa por trás?
Faço uma ressalva em relação à Marina, mas quero deixar claro que não votaria na Marina, ou em qualquer outro candidato, só por ter o nome de evangélico. Na minha opinião, se ele usar o fato de ser evangélico para querer voto eu já não voto dele. Para mim, ele não tem que ganhar eleição por ser evangélico. Eu voto no candidato diante das propostas dele e da sua plataforma de trabalho. Eu não posso confundi-lo com um crente, porque não estou votando em um cara que vai ser pastor, estou votando em um cara que vai ser presidente, governador, senador. Eu voto no sistema que funciona no mundo, até porque eu não encontro base bíblica para votar em um cara porque ele é crente. Uma coisa é o Reino de Deus, outra coisa é o reino do mundo.
GUIA-ME: Dentro dessa exploração do cristianismo, acha que muito do que foi falado foi forçado como arma para busca de votos?
Presidente da IAP: Se tratando dos três candidatos principais eu vou ser honesto e vou procurar ser muito honesto como é dever de qualquer pastor, eu isentaria a Marina disso aí, porque o que eu a vi fazer em campanha é normal na vida dela. O que eu disse na pergunta anterior é que não votaria nela só pelo fato de ser evangélica, assim como em qualquer outro. Agora, no Serra e na Dilma isso ficou explícito. De fato a presidente eleita disse que era a favor descriminalização do aborto e minha opinião sobre o aborto é bíblica. Sou sempre a favor da vida, mas também procuro entender o que ela quer dizer com descriminalização do aborto, não sou tão louco de não procurar entender o que ela quis dizer, mas ela, de fato, mudou de opinião. Não digo que é errado mudar de opinião, se a gente muda de opinião positivamente é louvável, mas acho que ela mudou por conveniência.
O Serra apareceu lendo a Bíblia em programa de televisão, foi em uma igreja em Foz do Iguaçu, deu a paz do Senhor para todo mundo e arrancou gargalhada dos pastores, foi na ExpoCristã (...) tanto um quanto o outro usaram dessa realidade da força dos evangélicos no voto para se aproximarem. Pura conveniência, na minha interpretação. Eu não acho errado, vendo do ponto de vista deles, porque eles não são crentes; a conduta deles, no mundo, é normal; anormal é a nossa conduta como pastora em fazer essas conveniências, nos envolvermos com a politicagem dizendo que somos pastores, aí sim eu acha grave. Fiquei com vergonha do que vi de pastores fazendo o que fizeram nessa campanha.
GUIA-ME: Acredita que a Igreja evangélica está consciente dessa exploração que houve, ou acha que as pessoas foram manuseadas pelas campanhas?
Presidente da IAP: Acho que tem muita gente consciente, mas tem um número muito grande de evangélicos que são conduzidos, e eles não conduzidos apenas nessa área. Os problemas que a igreja evangélica tem no Brasil são em várias áreas da vida e isso mostra que o povo de Deus... Acho que uma grande parte foi conduzida sim. Essa é a experiência diária da nossa própria igreja, a gente vê que muitos irmãos dependem da opinião de um pastor para muitas coisas, inclusive para isso, que é lamentável. Se o pastor tivesse que dizer alguma coisa, ele devia incentivar os irmãos a lerem as propostas dos candidatos, a procurar saber quem a pessoa é, e elas próprias tirarem suas conclusões; mas quem conduz isso não tem interesse que as pessoas se conscientizem, tem muito pastor vaidoso que não só gosta que as pessoas dependam espiritualmente dele, mas também dependam politicamente e em muitas áreas. São pastores inseguros que precisam estar mais perto de Cristo, porque Cristo dá segurança e quando você tem segurança da sua fé e do seu pastorado, você não pastoreia fazendo as ovelhas de dependentes, mas deixando-as cada vez mais livres para pensar e agir em todas as áreas da vida.

Meus amados Irmãos o papel do Crente é ganhar almas e só isso!
Jesus não fez politica e nos deu exemplo de como viver uma vida santa e cristã!



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